Um relatório conjunto das organizações Human Rights Watch e American Civil Liberties Union (ACLU) denuncia hoje que os EUA detiveram sem provas dezenas de muçulmanos residentes no país após os atentados de 11 de Setembro de 2001.
O "attorney general" norte-americano (cargo equivalente ao ministro da Justiça português) escusou-se a revelar quantas pessoas foram detidas sem provas durante as investigações anti-terroristas, mas a Human Rights Watch e a ACLU confirmam pelo menos 70 detenções.
De entre o universo estudado - detenções confirmadas e não confirmadas -, 64 pessoas eram originárias do Médio Oriente ou da Ásia do Sul, 17 eram cidadãos norte-americanos e apenas um não era muçulmano. As pessoas foram interpeladas sob ameaça de uma arma, colocadas numa cela isolada e, em alguns casos, maltratadas fisicamente, afirma o relatório.
Os suspeitos foram detidos de acordo com a lei norte-americana que permite a detenção e prisão de "testemunhas materiais" que, segundo a polícia, estejam na posse de informações importantes e que possam fugir.
Muitos destes homens nunca foram chamados a testemunhar - a Administração Bush chegou mesmo a apresentar desculpas a 13 pessoas. Segundo o relatório das organizações de defesa dos direitos humanos, um número não especificado "foi posteriormente acusado de crimes ligados ao terrorismo".
"Foram detidos muçulmanos por terem frequentado a mesma mesquita que um dos piratas do ar do 11 de Setembro, ou por ter um abre-latas", revelou Anjana Malhotra, uma das investigadoras da Human Rights Watch.
Deste grupo, um terço esteve detido pelo menos dois meses, outros permaneceram retidos seis meses e um deles ficou preso durante um ano.
Muitos deles não foram informados do motivo da detenção, não tiveram acesso imediato a um advogado ou não tiveram conhecimento posterior do motivo da detenção, refere o mesmo documento.


