Entrevista à RTP1

Zeinal Bava: “Qualquer sugestão de instrumentalização é um insulto”

25.06.2009 - 22:00 Por Ana Rita Faria

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Líder da PT explicou o interesse na Media Capital Líder da PT explicou o interesse na Media Capital (Pedro Cunha/Público (arquivo))
O presidente da comissão executiva da Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, diz que “qualquer sugestão da instrumentalização é um insulto”, referindo-se às críticas de vários partidos da oposição às negociações entre a Prisa e a Media Capital, que argumentam que o Estado (que detém uma golden share na PT) poderá ter interesse em que a empresa de telecomunicações fique com parte da TVI.

Em entrevista à RTP1 há minutos, Zeinal Bava respondeu ainda às afirmações do Presidente da República Cavaco Silva, que disse hoje que, “por uma questão de transparência”, a PT deve explicar que motivos a levam a querer comprar 30 por cento da Media Capital à espanhola Prisa.

“O nosso estatuto de empresa cotada em bolsa garante ética e transparência”, afirmou o presidente da comissão executiva da PT, salientando que, a concretizar-se, o negócio terá sempre de ser submetido ao aval de vários reguladores.

Zeinal Bava garantiu não haver ainda nenhum acordo firmado com a Media Capital e refere que os 30 por cento (a participação que a PT assumiria na dona da TVI) e os 150 milhões de euros (o valor de negócio) são “especulações”.

Respondendo à questão sobre se a PT informou o Governo sobre o potencial negócio, Zeinal Bava referiu apenas que a empresa não discutiu o tema na comissão executiva, “o primeiro fórum em que o assunto tem de ser discutido”.

O presidente da PT adiantou que o tema não foi abordado na reunião do conselho de administração de hoje, mas que teve de “prestar esclarecimentos”, devido ao comunicado feito à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Zeinal Bava afirmou ainda que a venda da Lusomundo não foi aprovada pelo Estado, que detém uma golden share (posição accionista minoritária, composta por 500 acções, que confere alguns direitos especiais).

Moniz fora do alcance

Respondendo à questão se a PT poderia vir a retirar o director da TVI, José Eduardo Moniz, Zeinal Bava referiu que, se a empresa vier a adquirir uma eventual posição minoritária, não poderá intervir em certas decisões.

“Vamos assumir que é 30 por cento, uma posição que, sendo minoritária, não permite intervir em determinadas decisões”, declarou, dando como exemplo a participação que a PT teve durante oito anos na SIC Notícias, que nunca lhe deu acesso a decisões editoriais.

“Queremos ser líderes de televisão em Portugal

De acordo com Zeinal Brava, as negociações com a Prisa fazem parte da estratégia de aposta em conteúdos traçada pela empresa em Abril do ano passado.

“O nosso negócio transformou-se, decidimos apostar na televisão, através do Meo, e agora precisamos de dar aos nossos clientes mais e melhores conteúdos”, explicou.

“Queremos ser líderes de televisão em Portugal”, disse Zeinal Bava, adiantando que, além da Prisa, tem contactos com a SIC e RTP para reforçar os conteúdos na televisão paga.

De acordo com o presidente da PT, a factura anual de conteúdos da empresa atinge actualmente os 90 milhões de euros. Falta agora “encontrar formas de rentabilizar melhor este investimento”, concluiu.


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