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Bob Dylan também foi distinguido com uma "citação especial"

Washington Post domina os Pulitzers de 2008

07.04.2008 - 20:24 Por Pedro Ribeiro

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Na categoria "serviço público" o prémio foi para uma série de reportagens do Post sobre as más condições no hospital Walter Reed Na categoria "serviço público" o prémio foi para uma série de reportagens do Post sobre as más condições no hospital Walter Reed (Yuri Gripas/Reuters (arquivo))
O Washington Post foi o jornal mais premiado na edição de 2008 dos prémios Pulitzer, os mais importantes no jornalismo dos Estados Unidos. Ganhou em seis das 14 categorias de jornalismo, incluindo a principal, "serviço público", por uma série de reportagens sobre as condições num hospital militar. Bob Dylan também recebeu um Pulitzer, uma "citação especial" pelo seu "profundo impacto" na cultura americana.

Desde 1917 que os Pulitzers (o nome do prémio evoca Joseph Pulitzer, magnata da imprensa nova-iorquina do final do século XIX/início do século XX) distinguem o melhor na imprensa americana. Distinguem também obras literárias, mas são essencialmente conhecidos pelas suas categorias de jornalismo.

Raramente um único jornal recebe tantos prémios num só ano como o Post em 2008. Só por uma vez é que os jornalistas de um único título conquistaram tantos Pulitzers: em 2002, quando o New York Times (essencialmente devido à sua cobertura dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001) foi distinguido com sete Pulitzers.

A categoria considerada mais prestigada é "serviço público" - artigos que sejam "exemplos distintos" da acção da imprensa ao serviço da sociedade. Este ano, esse prémio foi para uma série de reportagens do Post sobre as más condições no hospital Walter Reed, em Washington; uma investigação no Post revelou que o hospital negava os tratamentos necessários a muitos soldados americanos feridos na guerra do Iraque, por incúria ou entraves burocráticos, e que as condições de higiente e atendimento no Walter Reed chegavam a ser desumanas. Os artigos causaram um escândalo político, e levou à reforma do hospital e ao afastamento de vários dos seus responsáveis.

O Post foi também premiado nas categorias de "noticiário nacional" por uma série de artigos sobre o vice-presidente Dick Cheney; "última hora", pela sua cobertura do massacre na universidade Virginia Tech; "comentário", pelos artigos de opinião do seu colunista de economia Steve Pearlstein; "noticiário internacional", por reportagens sobre a acção no Iraque da firma de segurança privada Blackwater; e "reportagem", por um artigo do seu colunista de humor, Gene Weingarten, em que fazia a experiência de colocar o conceituado violinista Joshua Bell a pedir nos corredores do metropolitano de Washington.

Nas outras categorias de jornalismo, o New York Times recebeu dois Pulitzers - um deles na categoria "investigação", por um trabalho de Walt Bogdanich e Jake Hooker sobre a importação de produtos perigosos. Para Bogdanich, foi o terceiro Pulitzer da sua carreira.

Mark Feeney, crítico de artes plásticas do Boston Globe, venceu o Pulitzer de "crítica"; Adrees Latif, da Reuters, venceu o Pulitzer de fotografia de reportagem, por uma imagem de um cameraman japonês morto numa manifestação na Birmânia (a lista completa de premiados está em pulitzer.org).

Os Pulitzers também distinguem literatura - este ano, o prémio de ficção foi para o escritor de origem dominicana Junot Diaz, pelo seu segundo romance, "The Brief Wondrous Life of Oscar Wao". O comité do Pulitzer também distinguiu Tracy Letts (teatro), Daniel Walker Howe (história), John Matteson (biografia), Robert Hass e Philip Schultz (poesia).

O comité do Pulitzer também decidiu atribuir um prémio especial a Bob Dylan.

A "citação especial" é justificada pelo seu "profundo impacto na música e cultura populares americanas, marcado por composições líricas de um poder poético extraordinário".

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