"Wall Street Journal": Há um novo campeão de vendas de jornais nos EUA

26.10.2009 - 12:50 Por Rita Siza, em Washington
O Audit Bureau of Circulations, entidade que supervisiona a circulação dos jornais norte-americanos, divulga hoje os números relativos ao segundo trimestre do ano, mas, antecipando-se ao anúncio, o "The Wall Street Journal" já reclamou para si a posição cimeira na tabela dos jornais mais lidos nos Estados Unidos, com mais de dois milhões de exemplares por dia.
O vetusto diário económico, comprado há dois anos pelo magnata australiano dos media Rupert Murdoch, ultrapassou o generalista USA Today, o único jornal nacional nos Estados Unidos, que, com uma circulação média de 1,88 milhões, está a registar o pior ano da sua história - a quebra nas vendas já chegou aos 17 por cento.
Em Setembro de 2009, a circulação total do jornal nova-iorquino alcançou os 2.024.269 exemplares, comparados com os 2.011.999 no período homólogo de 2008. Segundo a Dow Jones Company, que detém o título, este acréscimo de 0,6 por cento corresponde a um aumento de 10,1 por cento nas receitas doJournal face ao ano passado.
Para calcular o total da circulação - e assim ultrapassar o seu concorrente directo -, o "Wall Street Journal" adicionou à circulação paga as subscrições electrónicas correspondentes ao conteúdo do jornal diário. Até Março, o diário registou novos 350 mil subscritores individuais da edição electrónica (o número de novos assinantes até Setembro só é divulgado hoje).
E, para reforçar a ideia do seu domínio no mercado da imprensa americana, o WSJ aparece no topo da "Mendelsohn Affluent Survey", um inquérito às preferências dos consumidores mais afluentes: é o favorito entre os dirigentes das principais corporações e dos indivíduos cujo rendimento é superior a 150 mil dólares anuais.
"Os consumidores continuam a gravitar para o "Wall Street Journal" por causa do nosso compromisso com a qualidade editorial e com a contínua expansão dos nossos produtos e plataformas de distribuição", justifica o COO do Dow Jones & Company"s Consumer Media Group, Todd Larsen.
Em terceiro lugar na lista dos mais vendidos, mas a considerável distância dos dois competidores do topo, está o "The New York Times", com pouco mais de um milhão de cópias por dia. A quarta posição é ocupada peloThe Los Angeles Times, o maior diário da costa oeste, e em quinto surge o "The Washington Post", com uma circulação média de 700 mil exemplares. A nova tabela de Setembro não deve alterar esta ordem.
O "USA Today", fundado em 1982, liderou durante toda a última década, mas parece não ter resistido à crise que se abateu no segmento das viagens de negócios. A quebra na circulação pode ser parcialmente explicada pela perda do contrato de distribuição em regime de exclusividade que o "USA Today" mantinha junto das grandes cadeias hoteleiras norte-americanas. Em Abril, o grupo Marriot renegociou os termos da sua oferta, e passou a disponibilizar outros títulos: o "Wall Street Journal" passou a ser o preferido de 20 por cento dos hóspedes.
O "feito" do WSJ pode parecer menor, se o crescimento de 0,6 por cento face a 2008 não for analisado no contexto da profunda crise que afecta a indústria jornalística. Como assinala Jennifer Lush, do World Editors Forum, "estes resultados constituem uma boa surpresa, num momento em que a maior parte das publicações se debate com quebras acentuadas na circulação e receitas. Pode-se mesmo dizer que os números mantêm viva a esperança de um fim para a crise da imprensa diária".
Mais política e opinião
Os dirigentes do "Wall Street Journal" acreditam que o sucesso de vendas se deve aos "investimentos recentes nas edições em papel e digital, que oferecem a leitores e anunciantes maior valor acrescentado e incluem maior cobertura de política americana e internacional, mais páginas de opinião, edições adicionais do WSJ.com, o lançamento do News Hub, um noticiário diário transmitido através da "Wall Street Journal Digital Network", e ainda novos produtos como as aplicações WSJ Mobile Reader para Blackberry e iPhone e a nova revista WSJ", lê-se num comunicado da companhia.

