"Global Media Monitoring Project"

Visibilidade das mulheres nas notícias aumentou mas homens são mais ouvidos

05.03.2010 - 16:36 Por Lusa

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Os jornalistas continuam a ter mais fontes masculinas, diz o estudo Os jornalistas continuam a ter mais fontes masculinas, diz o estudo (Rui Gaudêncio)
A visibilidade das mulheres nas notícias aumentou nos últimos anos, mas os jornalistas ainda preferem falar com homens, já que apenas uma em cada quatro pessoas ouvidas ou lidas nos media é mulher.

Os dados fazem parte do relatório preliminar do "Global Media Monitoring Project", a que a Lusa teve acesso e que, de cinco em cinco anos, analisa em 130 países - incluindo Portugal - toda a informação produzida por jornais, rádios e televisões.

Em 2009 o trabalho foi feito a 10 de Novembro, com uma análise completa dos principais noticiários das televisões e rádios. Quanto aos jornais, foram analisados 12 a 14 textos publicados nas páginas de maior destaque.

Os dados preliminares referem-se a uma amostra de 42 dos 130 países que participaram no projeto em todo o mundo.

Os números provam que a visibilidade das mulheres aumentou nos últimos 15 anos, mas também mostram que em pleno século XXI apenas 16 por cento de todas as notícias são especificamente sobre mulheres.

O maior aumento da visibilidade das mulheres nas notícias aconteceu na abordagem de temas ligados às áreas da saúde e ciência (de 22 por cento em 2005 para 37 por cento este ano). Contudo, estes tópicos são os que menos atenção merecem dos media.

Nos assuntos que são prioritários nas notícias, como a economia e a política, o aumento da presença feminina foi bem menor, subindo apenas um ponto percentual (de 20 para 21 por cento).

A paridade fica mais próxima quando se analisa a recolha da opinião popular nas notícias (‘vox populi’), com 47 por cento de mulheres ouvidas.

Contudo, as mulheres praticamente nem existem quando se trata de ouvir um especialista ou um/a representante da autoridade, de acordo com os dados preliminares do ‘Global Media Monitoring Project 2010’, que indicam que mais de 80 por cento dos peritos ouvidos nas televisões, rádios e jornais são homens.

Quando as mulheres aparecem nas notícias, são retratadas como vítimas mais do que os homens e mais facilmente também identificadas pelo seu estatuto familiar (‘mulher de’).

As mulheres são o centro da história sobretudo em notícias que abordam matérias ligadas às artes, celebridades e desporto ou assuntos relacionados com crime e violência.

O relatório completo deverá ser divulgado em Setembro.

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