Um tribunal parisiense absolveu hoje o director da revista satírica francesa "Charlie Hebdo", Philippe Val, acusado de injúrias de cariz religioso depois de ter publicado três "cartoons" sobre Maomé em Fevereiro de 2006, que foram considerados ultrajantes e injuriosos pela comunidade muçulmana.
O tribunal considerou que os três "cartoons" sobre o profeta não contêm matéria de injúria, ao contrário do que alegavam as organizações muçulmanas responsáveis pela acusação.
As imagens que estiveram no centro da disputa são três: um desenho de Maomé com um turbante do qual sai o rastilho de uma bomba; um "cartoon" em que o profeta pede aos terroristas que deixem de se imolar, uma vez que já não restavam mais virgens no Paraíso; e um último desenho em que se representa o profeta com as mãos na cabeça e a afirmar: "É duro ser-se amado por tontos". As duas primeiras imagens tinham sido previamente publicadas em Setembro de 2005 pelo diário dinamarquês "Jyllands-Posten".
No passado dia 28 de Fevereiro, o Ministério Público tinha pedido a absolvição do director da "Charlie Hebdo", Philippe Val, ao considerar que a publicação dessas imagens não viola o direito da liberdade de expressão e que não ataca o Islão, mas antes os integristas.
A defesa de Val também tinha pedido a absolvição, afirmando que nunca houve intenção de magoar ninguém e sublinhando que a França é um país onde a liberdade de expressão é fundamental. Porém, as entidades muçulmanas responsáveis pela acusação, a União das Organizações Islâmicas de França e a Grande Mesquita de Paris, não estavam de acordo com esta leitura.


