Trabalhadores dos jornais da Controlinveste vão estar em greve na quarta-feira 
03.03.2009 - 17:53 Por Lusa
Os trabalhadores de três jornais da Controlinveste vão estar em greve na quarta-feira para contestar a falta de abertura negocial do grupo relativamente à decisão de despedir mais de cem colaboradores. Dos quatro jornais do grupo, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “O Jogo” e o “24 Horas”, só o último é que ainda não sabe se vai fazer greve.
João Garcia, do Conselho de Redacção do “24 Horas” - de onde foram dispensados 12 trabalhadores – explicou que permanece a incógnita sobre se haverá ou não greve, uma decisão que só vai ser tomada hoje à tarde.
No “Jornal de Notícias” "a expectativa de adesão é francamente positiva", afirmou o delegado sindical Paulo Silva. O jornal, com sede no Porto, passou a contar com menos 66 dos seus 123 trabalhadores, na sequência do despedimento colectivo anunciado pela empresa no início do ano.
Quanto à motivação para esta paralisação, o jornalista esclareceu que se prende mais com a falta de vontade negocial do grupo: "se a administração tivesse dado o mais pequeno sinal que fosse, a greve teria sido imediatamente desconvocada".
No jornal “O Jogo”, "a redacção está muito solidária", contou Mónica Santos, delegada sindical deste desportivo que dispensou 17 colaboradores, acrescentando contudo que "só amanhã se perceberá a verdadeira adesão das pessoas".
Para Hélder Robalo, delegado sindical do “Diário de Notícias” do Porto, de onde foram dispensados 14 colaboradores, é fundamental "mostrar uma decisão firme". Em Lisboa, alguns trabalhadores deste jornal vão interpor uma providência cautelar contra o despedimento colectivo, assim como houve quem recorresse a advogados particulares.
O pré-aviso de greve foi apresentado a 20 de Fevereiro pelos trabalhadores, que solicitaram ainda a intervenção no caso do Presidente da Republica, primeiro-ministro, grupos parlamentares, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Provedor da Justiça, ministérios do Trabalho, da Economia, e dos Assuntos Parlamentares, e comissões de Trabalho, de Economia e de Ética, Sociedade e Cultura.
Os trabalhadores começaram a receber as cartas de despedimento na quarta-feira da semana passada.

