Trabalhadores do PÚBLICO chegam a acordo com a administração e evitam despedimento colectivo

17.07.2009 - 19:28 Por PÚBLICO
Depois de negociações feitas ao longo de mês e meio, mas que se intensificaram nas últimas 24 horas, os trabalhadores e a administração do jornal PÚBLICO chegaram hoje a um acordo que prevê uma redução da remuneração individual, evitando um processo de despedimento colectivo.
As reduções, entre 3 a 12 por cento, que vigorarão por um ano, foram apresentadas como uma salvaguarda do futuro da empresa, afectada pela situação precária do sector dos media a nível internacional. O PÚBLICO apresentou cerca de quatro milhões de euros de prejuízo em 2008.
A proposta da administração da empresa, que consiste numa redução do montante pago pela isenção de horário de trabalho a todos os trabalhadores com uma remuneração bruta superior a 1200 euros mensais, acabaria por não ser aceite. Numa votação realizada na segunda-feira os trabalhadores votaram, na sua maioria, pelo suspensão das negociações, propondo mais esclarecimentos sobre a proposta da administração, estudo de contrapartidas e a constituição de defesa jurídica por quem se mostrasse interessado.
Ao resultado dessa votação, a administração acabou por responder, em forma de ultimato, com um cenário de despedimento colectivo, que se desencadearia já na próxima semana, caso não se conseguisse que 90 por cento dos trabalhadores assinassem os termos da proposta até às 12h00 de hoje.
A negociação de contrapartidas nas últimas 24 horas acabou por levar a que 92 por cento dos trabalhadores da empresa (167) aceitassem a proposta, evitando assim um despedimento colectivo que poderia afectar 20 a 30 trabalhadores.
Em comunicado, a comissão de trabalhadores frisa que as negociações não estão ainda terminadas, faltando acertar os termos finais da proposta. O acordo vigora por um ano, prorrogável por mais seis meses, comprometendo-se a administração a não recorrer ao despedimento colectivo nesse prazo.
“A administração do PÚBLICO quer salientar o sentido de responsabilidade demonstrado pela quase totalidade dos trabalhadores ao aceitarem uma medida que implicará sacrifícios financeiros individuais”, disse a administração em comunicado.
Pela direcção editorial, Nuno Pacheco, fundador e director-adjunto do jornal, disse num plenário realizado esta tarde: “Acho que estamos todos de parabéns por mantermos o jornal, a qualidade e a força do projecto”. E acrescentou: “Não sabemos o que é o futuro”.

