Decisão tomada em plenário

Trabalhadores da RTP denunciam “despedimentos encapotados” e aderem à greve geral

02.11.2011 - 19:51 Por Lusa, Hugo Torres

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O plano de reestruturação do serviço público de televisão não é legal, segundo os sindicatos da RTP O plano de reestruturação do serviço público de televisão não é legal, segundo os sindicatos da RTP (Foto: Pedro Cunha)
O plenário de trabalhadores da RTP, que teve lugar nesta quarta-feira, chegou ao fim com os funcionários da estação pública de televisão a decidirem aderir à greve geral agendada para 24 de Novembro. A moção aprovada denuncia ainda o “despedimento encapotado” de 300 trabalhadores.

“A Administração e o Governo preparam o despedimento de 300 trabalhadores encapotado de ‘rescisão amigável’, podendo afectar a capacidade de produção da empresa”, sublinha o texto, divulgado num comunicado do Sindicato dos Jornalistas.

“As famílias dos trabalhadores da RTP já estão confrontadas – e vão sê-lo ainda mais – com a redução de salários, a diminuição do poder de compra, o agravamento dos impostos, a eliminação do abono de família para muitas delas e a redução de subsídios de desemprego e do período de desemprego com direito a subsídio”, lê-se ainda.

“Além do congelamento das carreiras e dos cortes salariais no ano em curso, o Governo pretende impor, aos trabalhadores da RTP e no sector público em geral, mais reduções em 2012 e 2013, sem garantia de reposição e sem garantia de que não reincidirá nestas medidas nos anos seguintes”, continua a moção.

Os trabalhadores da RTP consideram também que “o Governo promove ou é cúmplice em campanhas de intoxicação da opinião pública contra o serviço público de rádio e de televisão”, “manipulando números e escondendo que esta é a empresa que menos custa aos cidadãos nacionais comparada com as suas congéneres europeias”.

A privatização de um dos canais da estação é, por isso, alvo de críticas: “A privatização de um canal da RTP, que o Governo tenciona fazer, representaria uma diminuição muito grave da capacidade da empresa para assegurar o serviço público de televisão que lhe está confiado e que expressamente contempla a existência de dois canais”.

Do plenário desta quarta-feira saiu ainda a exigência de que “a empresa discuta os planos de reestruturação e outras medidas com as organizações representativas dos trabalhadores – comissão de trabalhadores e sindicatos”.

“Trazíamos a expectativa que nos fossem revelados os pormenores deste plano, que chamamos de reestruturação e a administração e o Governo chamam de sustentabilidade financeira. As nossas expectativas foram goradas, esses pormenores não nos foram revelados”, reforçou o porta-voz dos sindicatos da RTP, Paulo Mendes, à Lusa.

Os sindicatos da RTP entendem, de resto, que o plano de reestruturação não é legal e estão a propor aos trabalhadores da estação pública de televisão que “não subscrevam absolutamente nada” com a administração que os desvincule da empresa.

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