A France Télévisions, primeiro grupo audiovisual francês, que congrega os canais públicos France 2, France 3, France 4, France 5 e France Ô, deixou ontem à noite de transmitir publicidade das 20h às 6h. Os críticos desta medida governamental afirmam que vai levar à penúria da tal constelação televisiva e beneficiar, em contrapartida, os canais privados propriedade de personalidades ligadas ao Presidente Nicolas Sarkozy.
O conjunto de canais visto diariamente por 40 por cento dos franceses deixa de transmitir anúncios nocturnos precisamente no âmbito de uma reforma anunciada há um ano pelo chefe do Estado, que entrara para o Palácio do Eliseu em Maio de 2007, depois de ter derrotado nas urnas a socialista Ségolène Royal.
As reformas anunciadas por Sarkozy prevêem a proibição total de quaisquer anúncios publicitários na televisão pública, de dia ou de noite, a partir de 2011. E diz o Governo de centro-direita que isto irá melhorar a qualidade da programação, ao libertar as televisões públicas da tirania das audiências.
Só que os sindicatos, os socialistas, na oposição, e até mesmo alguns quadros dos canais visados temem que as reformas reduzam o financiamento dos mesmos e levem ao desemprego de muitos dos trabalhadores.
Por esse motivo, a France 3 já ontem registou uma taxa de greve da ordem dos 27 por cento e os sindicatos representativos do pessoal da France 2 marcaram greve para manhã. Tudo isto serve para confirmar que as mudanças em curso não são de forma alguma pacíficas e nem sequer agradam a todos.
Os que não gostam do que se está a passar, designadamente deputados socialistas, começaram já a falar ironicamente de Office de Radiodiffusion et Télévision de Sarkozy (ORTS), até porque será o Governo a nomear o presidente do conselho de administração da France Télévisions, naquilo que se teme seja um enfraquecimento geral dos meios de comunicação social do Estado. "Esta medida vai levar um duradouro enfraquecimetno dos meios de comunicação públicos", comentou a senadora socialista Catherine Tasca, no jornal Le Parisien.
Os serões televisivos dos canais abrangidos pela reforma passam agora a começar às 20h35 locais (19h35 em Lisboa), logo a seguir aos telejornais, em vez de se ficar à espera de um longo espaço publicitário de 15 minutos, que decerto incomodava muita gente mas fornecia muitas das verbas que só por si o orçamento geral não pode garantir.


