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Comunicações têm vindo a esbater a linha que separa o emprego da vida familiar

Telemóveis aumentam conflitos familiares

07.01.2006 - 11:26 Por PÚBLICO

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A vida profissional e familiar mistura-se cada vez mais A vida profissional e familiar mistura-se cada vez mais (Rainer Jensen/AFP)
A banalização dos telemóveis e dos pagers poderá estar a alterar as relações familiares. De acordo com um estudo da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, publicado em Dezembro de 2005, as pessoas que usam constantemente estes aparelhos manifestam mais sinais de insatisfação relativamente à família.

Os investigadores, que durante dois anos acompanharam 1300 adultos, notaram ainda que, pela mesma razão, a vida profissional e familiar mistura-se cada vez mais. A partir do momento em que as pessoas começam a receber em casa chamadas ligadas ao emprego, os problemas profissionais podem invadir o domicílio. O contrário, contudo, também acontece. Também a actividade profissional é perturbada pela introdução de assuntos familiares e pessoais durante o horário laboral.

Neste contexto, as questões mais triviais podem ser destabilizadoras. O mero telefonema do filho para a mãe, a informar que o micro-ondas explodiu, pode ter um efeito negativo na produtividade e no grau de satisfação familiar, explica Noelle Chesley, professora de Sociologia e uma das autoras do estudo, publicado no Journal of Marriage and Family.

As mulheres que trabalham são as mais afectadas pelo advento das telecomunicações: não só os assuntos familiares se intrometem na vida profissional, como as questões familiares profissionais irrompem, igualmente, durante o expediente.

Relativamente aos homens, são menos solicitados, quando se encontram no emprego, mas quando estão em casa sucede serem interpelados por colegas ou assuntos ligados às suas profissões.

Ainda assim, acrescenta a investigadora Noelle Chesley, há formas de bloquear esta mistura de papéis. Uma boa prática seria, por exemplo, os empregadores criarem regras na matéria. Da parte dos empregados, por seu lado, seria saudável, se estes decidissem manter o telemóvel desligado fora do horário de trabalho.

Para aliviar a tensão sobre as mulheres, os pais poderiam ainda repartir os dias a quem caberia a responsabilidade de tratar das chamadas domésticas.

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