Site WikiLeaks suspende operações devido a problemas de financiamento

01.02.2010 - 17:26 Por PÚBLICO
O site WikiLeaks, onde se publicam informações não-censuradas de forma anónima e que se tem tornado um site de consulta para os jornalistas de investigação de todo o mundo, publicando informações que os media tradicionais não podem publicar, anunciou que irá suspender as suas operações devido a problemas de financiamento.
De acordo com a BBC, os custos correntes, incluindo pagamentos aos funcionários, ascendem a 600 mil dólares mas, até agora, o WikiLeaks só conseguiu angariar 130 mil dólares.
O site não aceita dinheiro de governos nem de empresas, dependendo unicamente de donativos, que lhe chegam sobretudo de fundações que lutam em prol dos direitos humanos, jornalistas de investigação e do público em geral.
O site afirma que tem em sua posse informação acerca de bancos corruptos, sobre as Nações Unidas e o Iraque que não irá poder publicar enquanto não tiver financiamento para tal.
Apesar de ter ganho alguns prémios (incluindo o Economist Freedom of Expression Award e o Amnesty International New Media Award), o WikiLeaks também se viu envolvido em mais de cem complicações legais.
"O WikiLeaks conseguiu arranjar uma boa reputação para si e tem revelado boas histórias", indicou à BBC Julian Petley, da Campaign for Press and Broadcasting Freedom. "Uma das razões para o WikiLeaks ser tão útil é que consegue pôr online documentos originais - sem filtros editoriais".
O jornalista de investigação Paul Lashmar disse ter ficado espantado com a eficácia do site em publicar informação que normalmente é abafada. Mas a questão do financiamento tem que ser resolvida, admitiu. "Os utilizadores de Internet não estão interessados em saber como é que as pessoas que estão por detrás dos sites ganham dinheiro".
"O problema para o modelo auto-financiado é que sites como o WikiLeaks não terão tarefa fácil em atrair financiamento através de publicidade. (...) A determinado ponto, as pessoas que se interessam pela liberdade de expressão vão entender que o discurso livre tem que ser financiado, caso contrário não é livre", disse Paul Lashmar.

