Sindicato dos Jornalistas: demissão em massa da Controlinveste não era uma "inevitabilidade"

15.01.2009 - 22:32 Por PÚBLICO
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) condenou hoje os responsáveis da Controlinveste pelos 122 colaboradores que foram despedidos no “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24Horas” e no desportivo “O Jogo”, referindo que esta opção não era uma “inevitabilidade”. O SJ apontou também o dedo ao Governo por permitir, no novo Estatuto dos Jornalistas, a partilha do trabalho dos jornalistas por todos os órgãos de informação detidos por empresas.
O comunicado do SJ começa por referir que existem outras alternativas ao despedimento em massa e censura o facto de as organizações representativas dos trabalhadores não terem sido chamadas a tempo para analisar a situação. Principalmente porque há casos de despedimentos dramáticos “de jornalistas cujos cônjuges foram recentemente despedidos de outras empresas e a daqueles que são o sustento único das respectivas famílias”.
Por outro lado o SJ chama atenção à situação “incompreensível” de o grupo ter despedido mais de uma centena de pessoas, em que cerca de metade eram jornalistas, poucas semanas depois de ter terminado um ciclo de novas contratações.
Para o sindicato, o Governo, os partidos e até o Presidente da República têm responsabilidade no sucedido, devido às alterações feitas no novo Estatuto do Jornalista, que aliás, já tinham sido criticadas pelo sindicato.
“Parece claro (...) que o grupo poderá pretender valer-se da possibilidade de utilizar sinergias para assegurar conteúdos das várias publicações, extinguindo mesmo secções em algumas delas, uma vez que uma determinada secção de uma das publicações poderá assegurar os textos (e as imagens) de uma ou mais publicações que encerrem secções equivalentes”, diz o comunicado. O sindicato acrescenta que o Governo e o Partido Socialista com a aprovação à última alteração abriram “as portas ao despedimento maciço de jornalistas e à formação de redacções únicas”.
No comunicado o sindicato refere que não vai ficar parado e que vai requerer à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que “avalie os compromissos assumidos pelo presidente da Controlinveste nas audições na Alta Autoridade para a Comunicação Social (ACCS)”.
Já no final do comunicado o SJ adverte ainda a “absoluta falta de razoabilidade” na nova norma em que o Estado se proíbe de ser titular de órgãos de imprensa. “É que nestes momentos, quando além de inúmeros postos de trabalho se ameaça também a redução do pluralismo informativo, ganha maior importância a possibilidade de salvar publicações – tal como se salvam bancos – se tal medida for necessária.”

