Sindicato dos Jornalistas: conversa sobre Mário Crespo "é profundamente condenável"

01.02.2010 - 20:03 Por PÚBLICO

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Mário Crespo Mário Crespo (PÚBLICO)
O Sindicato dos Jornalistas considera que, "a ser comprovado o seu teor", a alegada conversa entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um executivo da televisão sobre o jornalista Mário Crespo "é profundamente condenável, não apenas pelas expressões desprimorosas para a pessoa e para o profissional, mas também por alimentar a suspeita de que o Governo persegue os jornalistas, os serviços noticiosos e os órgãos de informação que não são do seu agrado".

Numa nota publicada esta tarde no site do sindicato, a direcção afirma que "não se pode aceitar o recurso a expressões susceptíveis de atentarem contra a honra e a dignidade dos visados ou que constituam uma ameaça – mesmo velada – ao seu futuro profissional" e pede "uma retractação pública das pessoas que as tenham proferido".

Mário Crespo, jornalista da SIC, denunciou hoje uma alegada conversa que terá decorrido num restaurante em Lisboa entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um executivo de televisão que não identifica, em que ele, Mário Crespo, é alvo de várias críticas e referenciado como "mais um problema que tem que ser solucionado". O "pivot" da estação de Carnaxide deixa de escrever opinião no "Jornal de Notícias" depois de, ontem à noite, lhe ter sido negada a publicação de um texto onde relatava o sucedido.

Nota da Direcção do Sindicato dos Jornalistas

"Tendo tomado conhecimento do teor de um artigo do jornalista Mário Crespo, difundido hoje no sítio do Instituto Sá Carneiro na Internet e replicado por vários órgãos de informação na Rede, aludindo ao teor de uma conversa entre o primeiro-ministro, dois ministros e um executivo de um operador de televisão, durante a qual o nosso camarada terá sido objecto de referências desprimorosas e ofensivas, e tendo sido instada a pronunciar-se sobre o caso, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas torna desde já público:

1.A ser comprovado o seu teor, a conversa referida é profundamente condenável, não apenas pelas expressões desprimorosas para a pessoa e para o profissional, mas também por alimentar a suspeita de que o Governo persegue os jornalistas, os serviços noticiosos e os órgãos de informação que não são do seu agrado.

2.Reconhecendo-se o direito de opinião sobre o desempenho dos órgãos de informação e dos jornalistas, não se pode aceitar o recurso a expressões susceptíveis de atentarem contra a honra e a dignidade dos visados ou que constituam uma ameaça – mesmo velada – ao seu futuro profissional.

3.As expressões alegadamente utilizadas não podem ser empregues por pessoas de bem e muito menos são aceitáveis na boca de titulares de altos cargos, pelo que, a confirmarem-se, se impõe uma retractação pública das pessoas que as tenham proferido.

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2010

A Direcção"

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