O segundo canal público, a 2, é hoje rebaptizado para RTP2, três anos e três meses depois da mudança de estatuto e de abrir as portas à participação da sociedade civil.
A sua direcção - que diz ter decidido sozinha a alteração - quer aproveitar o potencial da marca da estação pública, mas este passo é uma antecipação da reintegração da segunda frequência no contrato de concessão de serviço público detido pela RTP, prevista na nova Lei da Televisão em discussão no Parlamento. O director, Jorge Wemans, garante que se mantém toda a programação que envolve os parceiros. O canal custa por ano cerca de 31 milhões de euros contra os 50 milhões de 2001. Em 2002, o Governo de Durão Barroso vacilou entre fechar a frequência ou vendê-la aos privados. Acatar a sugestão do grupo de reflexão sobre o serviço público de TV foi uma condescendência do ministro Nuno Morais Sarmento, que acabou por tomar como sua a solução.
João David Nunes, antigo membro do grupo de reflexão sobre o serviço público (2002), diz que esta reviravolta "é uma solução política, sem dúvida". "O PS sempre defendeu a existência de um serviço público de TV com dois canais", acrescenta.
Luís Osório, também do grupo, defendia a abertura do canal, mas reconhece agora que o projecto falhou e a culpa não estará só na política.Ambos concordam que a sociedade civil não tem dinamismo suficiente para a empreitada de gerir um canal de TV e este regresso seria inevitável.
Os 70 parceiros do canal não se mostram preocupados com estas mudanças na imagem nem com o fim formal do compromisso de, dentro de cinco anos, poderem vir a assumir de modo independente a sua gestão. Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Conselho de Acompanhamento da 2:, reconhece que esse cenário "seria complicado, por isso esta solução é a mais realista". Apreciada a nova orientação, o conselho "entendeu que, no essencial, o mais importante do projecto - permitir a efectiva participação da sociedade civil na concepção do canal — se mantém" e concordou com a mudança.
O anterior director, Manuel Falcão, entende que "não havia especiais razões para mudar, a não ser um espírito de revanche política sobre o projecto de que o actual ministro [Santos Silva] nunca gostou. O canal não tinha saído do círculo de referência que o algarismo 2 lhe dava". Nuno Morais Sarmento recusou-se a comentar o assunto.
O novo director da RTP2, Jorge Wemans, garante que irá manter toda a programação que envolve os parceiros.


