Sedes de meios de comunicação em Madrid vandalizadas por grupo antifascista

11.04.2008 - 13:08 Por PÚBLICO
As sedes dos principais meios de comunicação espanhóis, em Madrid, foram vandalizadas durante a madrugada de hoje. Os responsáveis pelo acto pintaram paredes e colocaram cartazes antifascistas nas fachadas e janelas dos edifícios, noticiou o diário “El Mundo”, um dos meios atacados. “El País”, “La Razón”, “Cadena Cope” e “Grupo Zeta” foram outros dos edifícios pintados.
Pela análise das mensagens escritas e afixadas, presume-se que os autores do acto sejam “grupos antifascistas e anticapitalistas”. O objectivo da acção foi recordar Carlos Javier Palomino, um jovem de 16 anos, assassinado na capital espanhola há cinco meses por um movimento neonazi.
Os desconhecidos escreveram frases como “Carlos vive” e “manipuladores”. Ao longo de cinco horas os responsáveis pelo acto percorreram de carro as principais sedes dos meios de comunicação de Madrid e lançaram também ovos e tinta vermelha contra as paredes.
Num dos cartazes os indivíduos “rejeitam o sensacionalismo, a forma mórbida e o carácter tendencioso com que a imprensa trata a luta solidária e justa contra o racismo e o fascismo”. E acrescentam: a imprensa deu sempre um tratamento “intencionado” ao assassinato de Carlos Palomino e “as ideais de igualdade, respeito e justiça são equiparadas com as de superioridade, desprezo e arbitrariedade”.
“Têm as mãos manchadas de sangue”, lê-se também no manifesto, que acusa ainda os meios de comunicação de desempenharam “um papel fundamental no adormecimento das consciências e dos trabalhadoras” e, assim, de serem “cúmplices de todas as agressões fascistas”.
A polícia, no seguimento das denúncias feitas pelos órgãos de comunicação, deslocou-se aos vários locais para tentar apanhar alguém em flagrante. No entanto, apesar de evitar um ataque contra a sede do jornal “ABC”, não deteve ninguém.
O rapaz de 16 anos foi apunhalado, a 11 de Novembro, por Josué Estébanez de la Hija, um soldado profissional de 24 anos que participava numa manifestação neonazi, convocada pela Democracia Nacional, sob o mote “contra o racismo anti-espanhol, contra a imigração”. O incidente ocorreu dentro de uma carruagem de metro madrilena, na estação de Legazpi. O autor do crime atingiu Carlos no coração com uma arma branca e a ferida acabou por ser fatal.

