O presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, considerou hoje que a manutenção de publicidade no canal da RTP que não for alienado vai lançar o sector para uma crise.
“O processo apressado de privatização da RTP, não maximizando os potenciais benefícios do Estado, lançará o sector, não apenas a televisão, para uma crise que será impeditiva da indispensável transformação em curso”, disse Pinto Balsemão durante a abertura da conferência Media do Futuro organizada pela SIC Notícias e pelo jornal Expresso.
A procura de publicidade diminuiu 30 por cento entre 2007 e 2011 e continuará a cair no próximo ano, lembrou o presidente da Imprensa, salientando que a manutenção de seis minutos de publicidade por hora no canal que não for alienado, levará a um aumento de 40 por cento da oferta do espaço publicitário.
Para Balsemão, a baixa de investimento publicitário e o aumento da oferta do espaço gerará “uma queda potencial de receita em torno dos 60 por cento nos operadores privados” e terá “dramáticos efeitos em cascata”, sobre todo o sector.
“Se a ideia não é acabar connosco [operadores privados], parece. Se é acabar connosco, arrisca-se a ser eficaz”, declarou Pinto Balsemão.
Balsemão adiantou ainda que nem os mais “empedernidos monetaristas” aceitarão que se trata apenas de uns que saem e outros que entram, portugueses ou estrangeiros, quando é o funcionamento da democracia portuguesa que está em causa.
Balsemão fez quatro observações na sua intervenção, começando por sublinhar o papel fundamental dos media “profissionais” e “independentes” que desempenham numa democracia que se quer “substantiva”, sendo a limitação do exercício do jornalismo, livre e independente, “altamente perigosa”.
O responsável pela Impresa realçou também os “tremendos desafios conjunturais que os media enfrentam”, numa alusão à retracção do mercado publicitário.
Balsemão lembrou ainda que o sector enfrenta desafios estruturais, nomeadamente a transição para o digital, o que requer capacidade de investimento e capacidade de inovação “para que seja uma verdadeira oportunidade para o sector”.
O presidente da Impresa disse que o sector não reclama ajudas, que está preparado para ajudar o país a ganhar competitividade, mas que os media não podem aceitar “que seja o próprio Governo a introduzir elementos de disrupção que ponham em causa todos os objectivos económicos e sociais, sem benefícios evidentes para ninguém”.
O canal de televisão que se mantiver na estação pública vai continuar a ter publicidade, à semelhança da RTP1, disse, na segunda-feira, o presidente do grupo de media público, Guilherme Costa.
Guilherme Costa, que falava na conferência de imprensa de apresentação do plano de sustentabilidade económica e financeira da RTP, em Lisboa, adiantou que o canal generalista que não for alienado beneficiará de "receitas comerciais num montante inferior ao que beneficia agora".
Assim, o canal público terá os mesmos 6 minutos de publicidade por hora que tem actualmente a RTP1.


