PS vai pedir em Tribunal levantamento do segredo profissional de jornalista da TVI

20.04.2010 - 12:07 Por Maria Lopes
O deputado do PS, Ricardo Rodrigues, vai pedir ao Tribunal da Relação de Lisboa num prazo de 48 horas o levantamento do sigilo profissional ao jornalista da TVI Carlos Enes.
O objectivo dos socialistas é que Carlos Enes, que está a prestar declarações esta manhã no Parlamento, seja obrigado a revelar os nomes dos dois deputados do PS e de um assessor socialista com quem diz ter jantado no Outono de 2005, na altura em que a Prisa estava a negociar com Miguel Pais do Amaral a aquisição da Media Capital.
Segundo o jornalista que pertenceu à equipa do Jornal Nacional de Sexta, essas três pessoas, que são suas fontes mas também suas amigas, manifestaram-se preocupadas consigo porque, "como contrapartida, como beneplácito do Governo de entrada de um grupo estrangeiro na Media Capital, Manuela Moura Guedes devia ser afastada do ecrã".
De acordo com Carlos Enes, "era um plano simples: era convicção que com o afastamento de Moura Guedes, José Eduardo Moniz se auto-afastaria, resolvendo, digamos assim, o problema. Presumo que esse jantar tenha ocorrido em Novembro, finais de Outubro. Eu comprometi-me com aquelas pessoas que não revelaria a identidade delas e nunca o fiz, nem a Manuela Moura Guedes, a quem revelei a existência deste encontro, não o fiz à ERC e não o vou fazer aqui."
Segundo contou o jornalista, para além de Moura Guedes e Moniz, haveria uma lista de pessoas a afastar da TVI, incluindo "chefias intermédias e jornalistas que seriam suspeitos de praticar um jornalismo que não agradaria ao poder político", mas não se lembra de outros nomes. Essas três pessoas cujo nome não revela estavam preocupados que Carlos Enes pudesse estar nessa lista, disse o jornalista lembrando que ele e, por exemplo, Ana Leal, estiveram envolvidos na investigação sobre o caso Casa Pia e que foi processado por Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso, cujos processos ganhou.
"A sua opção [de não revelar as fontes] inutiliza e prejudica o trabalho desta comissão", apontou a socialista Sónia Fertuzinhos, desapontada com a "escolha pela inutilidade do seu depoimento".

