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José Nuno Martins cumpre hoje o último dia do seu mandato

Provedor da RDP defende que a rádio pública se tornou no "parente pobre" da RTP

30.04.2008 - 10:39 Por Lusa

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José Nuno Martins, Provedor do Ouvinte da RDP que cumpre hoje o último dia do seu mandato, considera que a rádio pública se tornou o "parente pobre" da RTP devido à indiferença dos poderes políticos e à aposta da empresa na televisão.
Esta indiferença é visível na falta de um contrato de concessão do serviço público de radiodifusão actualizado Esta indiferença é visível na falta de um contrato de concessão do serviço público de radiodifusão actualizado (Vasco Neves (arquivo))

No relatório anual do Provedor do Ouvinte referente a 2007, José Nuno Martins sublinha a "indisfarçável indiferença das autoridades políticas (...) no que respeita aos temas da rádio pública" e lamenta que a RDP se veja hoje "dramaticamente reduzida à condição de parente pobre no seio da mesma empresa, que dedica os principais recursos à área da todo poderosa televisão".

Uma situação que, segundo o provedor, levou a rádio pública a ver "a sua identidade esbatida, até na própria designação escolhida para a nova instituição em que se acolhem as sete estações do serviço público", já que a empresa que agrega a rádio e a televisão públicas passou a chamar-se RTP. "A rádio pública portuguesa perdeu a autonomia de sempre ao ver-se integrada numa empresa que lhe desfez a identidade, sem se ter preocupado ou ter sabido estabelecer o equilíbrio estrutural interno com os outros ramos", adianta o provedor.

Esta indiferença é, de acordo com o mesmo responsável, visível na falta de um contrato de concessão do serviço público de radiodifusão actualizado, já que o existente "é um documento datado, abandonado e inerte" que "já devia ter sido revisto em 2002 e 2005 e não foi". O actual contrato "não está minimamente aferido quanto ao desempenho que vem sendo feito em algumas estações do serviço público - designadamente a Antena 3, a RDP África e a RDP Internacional", critica José Nuno Martins.

Música como uma "mera ferramenta de trabalho"

A falta de identidade das rádios públicas é criticada várias vezes no relatório de 2007, nomeadamente no que concerne às escolhas musicais das emissoras. Segundo José Nuno Martins, a música "é hoje encarada como se se tratasse de mera ferramenta de trabalho, com a qual se enchem espaços intersticiais de programação (...) mas notoriamente sem lhe ser efectivamente atribuído o mesmo papel determinante de sempre, na construção da identidade afectiva de uma estação".

Referindo que as escolhas musicais das rádios da RDP constituem "muitas das mais prevalecentes críticas dos ouvintes", o Provedor do Ouvinte da rádio pública considera que a "música é uma matéria que não pode deixar de estar no primeiro patamar de preocupação dos decisores das 3 estações nacionais".

O provedor critica ainda o anterior conselho de administração da RTP por não ter tido com a RDP a preocupação que teve com a televisão e por ter "aceitado fazer alterar sem contrapartidas" as identidades das estações de rádio, "deixando-as perder afectos e públicos, qualidades técnicas e também muitos profissionais".

Ouvintes criticam RDP

Da análise das mensagens dos ouvintes, o provedor conclui que "a rádio estará a reduzir-se" até porque as emissoras "concorrem entre si com programações formatadas por modelos sempre idênticos". Com um total de quase 1400 mensagens recebidas dos ouvintes durante o ano passado, o Provedor do Ouvinte alerta para o facto de a maioria (68 por cento) ter sido foi negativa para a RDP.

As críticas centraram-se sobretudo na programação da Antena 1 com especial incidência no "Programa da Manhã" e especificamente no caso do temporário cancelamento da rublica "O Amor é...", mas também nas escolhas musicais do canal e no facto de as rádios terem deixado de "valorizar o afecto" através de estórias. "Não se duvide de que nelas [nas estórias] encontraríamos um dos mais poderosos factores de diferenciação absoluta entre a rádio privada (...) e a rádio pública", sublinha José Nuno Martins.

Também as opções de programação da Antena 2 foram criticadas pelos ouvintes, sendo "muito severos os protestos relativos à realização e à apresentação de Império dos Sentidos" e "aos espaços informativos" da emissora, além do "alegado excesso" de músicas contemporâneas.

Na Antena 3 as principais críticas são dirigidas aos animadores, às escolhas musicais e "playlist" e à nova grelha lançada em Setembro passado. Para o Provedor do Ouvinte, as mudanças operadas a partir de Setembro passado na Antena 3 - e que considera terem tido origem nas críticas avançadas por si no ano passado - não foram suficientes "para ultrapassar as questões de fundo que motivaram o alerta".

"Tendo a média etária dos ouvintes da Antena 3 envelhecido praticamente na mesma medida em que cresceu a idade da estação, aqueles ouvintes que tinham 17/25 anos por altura da criação da 3 têm hoje 30/38 anos", lembra José Nuno Martins. "A questão é se - quando foi criada e quando se contratualizou a sua formulação - o Estado entendeu que desenvolvia o projecto da Antena 3 para a propor a ouvintes de 38, 30 ou mesmo 25 anos, ou se o implantava para atingir gente muito mais nova", avança, referindo que a média etária do público da Antena 3 está hoje praticamente sobreposta à média etária de um expressivo segmento do público da Antena 1. "A rádio 'jovem' envelheceu, tornando-se afinal numa proposta alternativa à Antena 1", avisa o provedor, afirmando não considerar que "essa seja a opção certa".

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blbbla

è uma pena que na antena 2 agora estão lá uns intelectuais que têm de mostrar a sua erudição e que ...

José Manuel Rocha

25.03.2009 18:24

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