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Contrato da RTP com a produtora Mandala não foi renovado

Programa satírico “Contra-Informação” acabou

26.11.2010 - 13:15 Por Cláudia Bancaleiro, Ana Machado

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Os bonecos da sátira política chegaram à televisão portuguesa em 1992 Os bonecos da sátira política chegaram à televisão portuguesa em 1992 (Foto: Miguel Madeira arquivo)
O “Contra-Informação”, programa de sátira política exibido há quase 15 anos na televisão pública, acabou. A RTP não renovou para o próximo ano o contrato com a Mandala, produtora do programa, e os bonecos de “Acabado da Silva” e “José Trocas-te” vão deixar de aparecer na estação pública.

“Acabou”, confirmou ao PÚBLICO Nuno Artur Silva, que ao lado de Rui Cardoso Martins e José de Pina, foi autor da ideia original do “Contra-Informação”. O também fundador das Produções Fictícias, onde eram criados os textos para o programa, sublinha que o fim do “Contra-Informação” não foi uma “decisão abrupta”. “O fim do programa já vinha sendo falado. Houve uma conversa entre a Direcção de Programas da RTP e a Mandala e a decisão foi tomada”, adiantou Nuno Artur Silva.

Questionado sobre se este seria também o fim para um formato como o do “Contra-Informação”, o ficcionista indicou que apesar da decisão de pôr um ponto final ao contrato entre RTP e Mandala “não foi fechada completamente a porta” a este tipo de programas. “Se será este o formato, se vai ser reformado, não se sabe”, acrescentou. O autor também não quis avançar razões para o cancelamento do contrato, remetendo explicações para o director de Programas da RTP, José Fragoso.

José Fragoso conta que a necessidade do programa se reinventar já tinha sido falada por várias vezes: “Na área do humor surgiram vários projectos nos últimos anos na TV de sinal aberto e no cabo e era vital encontrar uma fórmula nova”. Chegada a altura de renovação de contrato, conta o responsável, a RTP decidiu não renovar.

"É o fim de um ciclo"

Fragoso, que sem adiantar valores diz que “o Contra era um programa caro”, reconhece que 15 anos de percurso criam uma afectividade de todos com o programa. “Mas os programas têm um princípio e um fim”, diz, adiantando que esteve tentado a acabar, em 2008, com outro formato da estação pública com a mesma longevidade do Contra: o programa da manhã Praça da Alegria. “O Praça faz agora 15 anos e eu pensei que aquele formato tinha acabado.”

Nuno Artur Silva lamentou, no entanto, o fim do “Contra”, o “programa de humor há mais tempo no ar”. “É um feito chegar a 15 anos de programa. É uma coisa rara na televisão portuguesa. Acima de tudo, há que fazer um saldo positivo deste programa, que deixou marcas na cultura portuguesa”.

Mafalda Mendes de Almeida, directora-geral da Mandala, adiantou ao PÚBLICO que a produtora foi informada esta semana da decisão. "Fiquei sensibilizada pelo respeito, a consideração com que foi feito o anúncio" por parte de José Fragoso, disse a responsável, a quem foi garantido pelo director de Programas da RTP que "não se fecha a porta" a uma futura colaboração. Quanto ao futuro, Mafalda Mendes de Almeida diz que agora é tempo de reflexão. "Vamos parar para reflectir, para pensar o que podemos vir a fazer". Questionada sobre o futuro da equipa que até aqui criava o "Contra", a directora da Mandala indicou que o fim do contrato com a RTP surge quando termina também o contrato com 18 pessoas, nomeadamente manipuladores de bonecos.

A reunião que ditou o fim do “Contra” ocorreu esta semana. Mafalda Mendes de Almeida tinha avançado no passado dia 19 ao “Diário de Notícias” que ia haver um encontro com a RTP no dia 25 para discutir o futuro do programa, mas sublinhou que nada indicava que a parceria iria terminar. “É verdade que vamos ter uma reunião com a RTP no dia 25, mas não tenho qualquer indicação no sentido de não haver uma renovação do formato. Sempre tivemos uma óptima relação com as direcções de programas da RTP, e agora também com José Fragoso. Acho mais sensato tirar conclusões depois de a reunião acontecer”, disse ao diário.

Nuno Santos, que trabalhou cinco anos com a equipa da Mandala enquanto director de Programas da RTP, e pelas mãos de quem o programa passou de diário a semanal em 2006, afirmou ao PÚBLICO que não estabeleceu contacto com a empresa ainda, no sentido de puxar o formato para a SIC. “Não é uma questão que se coloque”, disse.

Antes do “Contra” havia o “Jornalouco”

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Comentário + votado

Não dá para acreditar...

Nunca pensei que tal viesse a acontecer. Tenho muita pena que o programa tenha acabado. Peço a ...

goncasneves

26.11.2010 14:54

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