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Audiovisual

Privadas chegam à maioridade mas TV paga é a que mais cresce

06.02.2010 - 09:25 Por Joana Amaral Cardoso

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A TV paga pode ser “local de maturação” de novos formatos, diz José Fragoso A TV paga pode ser “local de maturação” de novos formatos, diz José Fragoso (Paulo Pimenta (arquivo))
Há 18 anos eram atribuídas as concessões dos canais privados. Em 2009 pela primeira vez havia mais lares com TV paga do que gratuita.

No dia em que as concessões de serviço privado de televisão atingem a maioridade, cumprindo-se 18 anos desde a abertura do espectro à SIC e à TVI, é a televisão paga que mais cresce. As privadas continuam a lutar pelas audiências, com a TVI líder há cinco anos e com a SIC e a RTP1 a digladiarem-se pelo segundo lugar - posição que a RTP1 recuperou em 2009. Mas no ano passado, pela primeira vez, o número de lares com televisão paga (cabo, satélite, IPTV) em Portugal ultrapassou o de casas com televisão gratuita.

Em 2008, o share do cabo foi de 13,8 por cento; em 2009 foi de 16,9 por cento. Segundo a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), em Setembro de 2009 havia 2,4 milhões de assinantes (mais 232 mil do que nos primeiros nove meses de 2008). São 4,3 milhões de alojamentos com TV paga, mais 93 mil do que no ano anterior. A Zon (cabo) continua a ser o maior distribuidor - quase 1,6 milhões de subscritores - e o Meo (IPTV) é o segundo, com 505 mil clientes.

A tendência é internacional e provoca alguma erosão das audiências dos canais em sinal aberto - que, por seu turno, apostaram desde 2000 na criação dos seus próprios canais temáticos. "É uma evolução natural. As audiências tendem a fragmentar-se. Haverá cada vez mais nichos cujos interesses devem ser tidos em conta. A TV do grande público não será certamente a TV do futuro", comenta Felisbela Lopes, investigadora e docente de Ciências de Comunicação da Universidade do Minho.

"Há uma percentagem de público que não se revê nas generalistas, que só pensam em audiências e não em espectadores. Pensam em blocos, em faixas e dão de bandeja nichos ao cabo", opina Jorge Mourinha, crítico de TV do PÚBLICO.

Publicidade e triple-play

Em 2009, "pela primeira vez, a penetração do cabo nos lares do continente ultrapassou os 50 por cento", diz a direcção-geral da Marktest ao PÚBLICO, por e-mail. "Mas o seu share é muito mais baixo", frisam. O mesmo notava Nuno Santos, em Dezembro: "Para quem vê TV via cabo ou IPTV, os canais mais vistos são os generalistas", sublinha o director de programas da SIC. Nas audiências, é frequente ver canais de TV por subscrição como SIC Notícias, Panda, Hollywood ou AXN acima da RTP2. E ao salto de três pontos de share entre 2008 e 2009 nas audiências da TV paga juntou-se desde dia 1 o facto de o segundo maior operador, o Meo, já estar a ser medido pela Marktest.

Ainda assim, soube o PÚBLICO, a fatia de mercado do Meo era já contemplada, por extrapolação, nos números das audiências em parte de 2009. O Meo, a marca mais recordada de 2009 na Grande Lisboa e no Grande Porto (dados Publivaga/Marktest), é um dos factores que contribuíram para o aumento da presença da TV por subscrição nas casas portuguesas. Já houve outros "saltos" no passado, lembra Vera Roquette, responsável pelo gabinete de audiências e estudos de mercado da Marktest, como em 2004 e 2005 - quando surgiram novos canais. "Quando surge um distribuidor com uma política mais agressiva, que desvia ou acrescenta espectadores e novos clientes", isso é um "driver de consumo", explica. E a "entrada de conteúdos como os canais de informação, de séries ou de desporto - a SportTV é um dos maiores drivers - aumenta o consumo de TV paga", completa Vera Roquette.

Jorge Mourinha arrisca outro factor: o apelo dos pacotes triple-play (TV, Internet e telefone), que constituem factor de poupança numa altura de crise económica e de aumento do desemprego. No caso do Meo, a totalidade dos seus clientes é subscritora de triple-play; no caso da Zon, dos seus 1,6 milhões de assinantes, 435,9 mil são clientes triple-play. Ou seja, há quase um milhão de portugueses que optaram por esta oferta.

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Título

As pessoas não têm é vergonha na cara. Dizem que não há dinheiro para os medicamentos nem para ir ...

Anónimo

06.02.2010 14:48

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