Portugal sobe sete lugares no ranking de liberdade de imprensa

25.01.2012 - 13:21 Por Romana Borja-Santos
Portugal subiu do 40.º para o 33.º lugar no ranking de liberdade de imprensa, de acordo com o relatório da associação internacional Repórteres Sem fronteiras. No pódio estão países como a Finlândia, Noruega e Estónia. Antes de Portugal está o Uruguai e logo a seguir a Tanzânia. Já na cauda estão países como a Coreia do Norte e a Eritreia.
Para realizar este índice que foi publicado nesta quarta-feira e que abrange 179 países, a associação Repórteres Sem fronteiras fez chegar um inquérito a 18 associações que se dedicam à defesa da liberdade de expressão nos cinco continentes e aos seus 150 correspondentes, jornalistas, investigadores, juristas e militantes de direitos humanos espalhados em todo o mundo.
Para a classificação, a Repórteres Sem Fronteiras foca-se em critérios como a violência, prisão, homicídios, ameaças, censura e autocensura, buscas, apreensão de material e até a existência de monopólios.
Depois da Finlândia, da Noruega (que já no último ranking estavam no topo da lista) e da Estónia (que viu a sua posição melhorar), ainda nos dez primeiros lugares vêm países como Holanda, Áustria, Islândia, Luxemburgo, Suíça, Cabo Verde e Canadá. Pouco antes de Portugal, na 30.ª posição, vem a Austrália e segue-se a Lituânia. A Tanzânia conseguiu o 34.º lugar, seguindo-se Papua Nova Guiné, Eslovénia, El Salvador, França, Espanha e Hungria. No fundo da lista do relatório, está em 170.º lugar o Sudão e, logo depois, Iémen, Vietname, Bahrein, China, Irão, Síria, Turquemenistão, Coreia do Norte e Eritreia.
No último relatório, que foi publicado no final de 2010, Portugal tinha caído dez lugares para a 40.ª posição. Essa tinha sido a pior classificação do país, desde que a associação Repórteres Sem Fronteiras criou o ranking, em 2002. Apesar de a associação na altura – tal como agora – não ter feito comentários concretos sobre Portugal, nesse mesmo ano tinha divulgado dois comunicados em que condenava o episódio do roubo, pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues, de dois gravadores a jornalistas da Sábado durante uma entrevista, e a condenação do jornal Sol em tribunal num dos processos colocados pelo ex-administrador da PT Rui Pedro Soares.
Para a avaliação de este ano, para a qual terão contado dados de 2011, a associação voltou a publicar um comunicado crítico à evolução do caso dos gravadores e um outro a condenar a alegada violação, por parte das secretas, do telemóvel do então jornalista do PÚBLICO Nuno Simas, que está agora na Agência Lusa.
“O índice deste ano revela muitas mudanças no ranking, mudanças que reflectem um ano de desenvolvimentos incrivelmente ricos, especialmente no mundo árabe”, lê-se no comunicado emitido a propósito do relatório.
“Muitos meios de comunicação pagaram caro pela cobertura de movimentos democráticos ou de movimentos de oposição. O controlo das notícias e da informação continuou a tentar os governos e a ser uma questão de sobrevivência nos regimes totalitários e repressivos”, diz a mesma nota – que saliente que 2011 foi um dos anos mais duros para o direito à informação e para a sua associação com a democracia.
Assim, a Repórteres Sem Fronteiras diz que “não surpreende” que países como a Eritreia, o Turquemenistão e a Coreia do Norte, “absolutamente ditatoriais”, ocupem de novo os últimos lugares do índice. Da mesma forma, salienta que Finlândia, Noruega e Holanda continuam a ser bons exemplos de como “a independência dos meios de comunicação só pode ser mantida em democracias fortes”. Ainda a propósito da Europa, o documento aponta o dedo ao comportamento da Turquia (148.º lugar) durante a eleição presidencial.

