Portugal novamente à lupa em sitcom no horário nobre da RTP1

26.11.2009 - 20:28 Por Joana Amaral Cardoso
Palpites, imitações, ideário nacional. "O Que Se Passou Foi Isto" chega na próxima quarta-feira, dia 2, às 21h30 na RTP1 para, em 13 doses de 25 minutos semanais, e não teme esgotar o filão do humor baseado de muito perto na actualidade.
Porquê? "Porque a actualidade também muda e há casos novos" sobre os quais as pessoas querem rir, mas também porque "o mecanismo que faz funcionar o programa é um que passa pela cabeça de toda a gente", explica Luís Franco-Bastos, um dos protagonistas da sitcom. Aquele que alimenta teorias da conspiração, que faz os portugueses dizerem "o que se passou foi isto"... ou coisa parecida.
Luís Franco-Bastos é o imitador/humorista/actor que dá corpo a várias imitações, bem como Manuel Marques, já rodado com o trabalho recente n'"Os Contemporâneos" - que sim, estão nos planos da RTP1 e devem voltar na Primavera. Carla Salgueiro é a outra protagonista, e os três vão encontrar-se no Ludgero's Café para teorizar sobre os casos da semana.
Com duas sessões de gravações semanais e uma de ensaio e com Jorge Paixão da Costa como realizador - e, frisa ele, sobretudo como "provedor do espectador" que tenta que tudo só saia para a TV mesmo no ponto -, a sitcom apresenta "uma transformação dessa realidade", explica Manuel Marques ao PÚBLICO. O actor gostava que a série surgisse com um ambiente ao estilo de "O Escritório" no que ela tem de orgânico, de não-forçado, e procura "objectividade" no humor, no sentido em que tem de ser directo.
O trio vai oscilar entre as cenas de sitcom e os sketches imaginados, mas há ainda arestas por limar. O projecto, um original pedido pela direcção de programas da RTP às Produções Fictícias (que aqui também se estreiam com a produtora A Má da Foca), começou a andar há cerca de um mês e só agora entra em gravações. Vai ocupar o lugar deixado vago na grelha pela ausência de três meses da Liga dos Campeões e ficará com "Telerural" como vizinho.
A RTP, explicou o director de programas José Fragoso, quer continuar a apostar "em projectos de humor inovadores potenciadores da capacidade criativa dos autores e dos actores" jovens, sendo neste caso os argumentistas Joana Marques, Susana Romana e Roberto Pereira, a partir de ideia original de Nuno Artur Silva.
"Vivemos um período de grande diversidade no humor português", constatou este fim de tarde Nuno Artur Silva, e o realizador Jorge Paixão da Costa diz sentir que se está a estrear no humor - apesar de ter realizado, em 1999, "Não és Homem Não És Nada". E José Fragoso acrescenta a importância da Internet como local de amadurecimento e revelação de talentos também no humor, dada a ausência de condições de produção em Portugal que permitam fazer episódios-piloto para avaliar a validade ou viabilidade de um projecto. Na web, "estes actores vão ganhando uma tarimba muito importante para se consolidarem como actores", disse Fragoso, referindo-se a Luís Franco-Bastos.

