Jim Romenesko demite-se depois de acusado de citar incorrectamente

14.11.2011 - 14:17 Por Susana Almeida Ribeiro
Jim Romenesko é um popular blogger norte-americano. Especialmente entre os jornalistas e os especialistas em media. Escreve sobre assuntos quentes de forma resumida e incisiva para o Poynter Institute. Mas, recentemente, esta escola de jornalismo e pilar de boas práticas acusou Romenesko de, ocasionalmente, não colocar algumas citações entre aspas. O jornalista pediu a demissão.
Tudo começou depois de uma jornalista da revista “Columbia Journalism Review” - dedicada aos jornalistas profissionais americanos - ter chamado a atenção dos responsáveis do Poynter Institute para o estilo de escrita de Jim Romenesko no seu blogue Romenesko+ . Romenesko tinha como prática remeter logo no título ou no lead do seu post para os artigos originais, incluindo depois um ou mais parágrafos dessa história original no seu próprio texto sem usar aspas.
Em declarações por e-mail ao PÚBLICO, Rick Edmonds, jornalista e analista de media do Poynter Institute, resume desta forma a actuação de Romenesko: “Ele citava longas passagens ‘palavra por palavra’ de histórias que ele resumia, negligenciando a colocação de aspas”.
Perante esta chamada de atenção, a directora do instituto, Julie Moos, escreveu na passada quinta-feira no site do Poynter Institute que Romenesko sempre identificou as suas fontes de forma proeminente mas frisou que demasiados textos seus incluem uma linguagem citada “palavra por palavra” sem que surja entre aspas.
“Esta prática [não citar apropriadamente as fontes originais] é contrária aos nossos princípios. Uma vez que criticamos frequentemente as ofensas jornalísticas dos outros, Julie Moos achou apropriado publicar uma auto-crítica”, explicou Rick Edmonds.
A crítica teve uma reacção quase imediata por parte de Jim Romenesko: o jornalista pediu a demissão do Poynter Institute, onde já estava há 12 anos.
Pouco depois, Julie Moos anunciou ter aceitado a demissão de Romenesko, facto que o próprio confirmou via Twitter.
Depois de a bomba ter estoirado entre o meio académico e os media norte-americanos, muitos dos especialistas em media dos EUA acabaram por tomar o partido de Romenesko (58 anos), acusando Julie Moos de ser demasiado severa e injusta para com este jornalista que goza de uma excelente reputação entre os seus pares.
Há poucos dias, o jornalista Justin Peters resumia - no site da “Columbia Journalism Review” (CJR) - as coisas da seguinte forma: muitas pessoas ficaram “muito zangadas” com este caso, “em especial com Julie Moos, uma mulher que ninguém conhece, por ter o desplante de criticar publicamente Jim Romenesko, que é famoso”.
Muitos consideraram igualmente que esta denúncia do Poynter Institute é uma falsa questão já que nos seus artigos de opinião Romenesko remete - através da hipertextualidade - para os textos originais.
“Uma rápida olhadela ao Twitter [depois de o escândalo ter rebentado] tornou evidente que os jornalistas não se importavam que Romenesko usasse uma frase ou outra; na verdade, a maioria dos repórteres e bloggers consideravam uma nomeação por parte de Romenesko como sendo uma honra”, escreve ainda Justin Peters no site da CJR.
Rick Edmonds diz não entender bem estas críticas: “Sinto-me confuso quando os defensores de Romenesko - e nossos críticos (do Poynter Institute) - dizem que os textos de agregação (com hipertextualidade, que remetem para outros textos) têm critérios de atribuição diferentes. Aparentemente, muitas pessoas pensam desta forma - talvez pessoas que façam a mesma coisa”.
Rick Edmonds estima que este foi um “final lamentável” para a “passagem distinta” de Romenesko pelo Poynter Institute. “O Jim foi um dos pioneiros da agregação, marcou um estilo e foi influente como repórter na escrita de notícias sobre notícias. (...) Espero que esta discussão, à medida que a pressão diminui, ajude a definir boas práticas e boa ética no que toca ao online”.

