O jornalista Pedro Rosa Mendes participa na quarta-feira numa conferência no Parlamento Europeu (PE) para falar sobre o fim das suas crónicas na Antena 1, depois de ter tecido críticas aos governos de Portugal e Angola.
O evento, a decorrer à hora do almoço, é promovido pelo eurodeputado independente português Rui Tavares, do grupo dos Verdes europeus e membro da Comissão das Liberdades e Direitos Civis do PE, que quer perceber melhor as circunstâncias, ainda por esclarecer, que levaram ao fim do programa “Esse Tempo”.
Em declarações à Lusa, Rui Tavares lembrou a pergunta que Pedro Rosa Mendes deixou na sua última crónica do programa da Antena 1, sobre se quem vive dobrado em democracia se endireitará em tempos difíceis.
Para Rui Tavares, o que o cronista nos está a dizer é que em tempos de crise económica, em austeridade, uma das primeiras vítimas é a liberdade de expressão. E o que há uns tempos não passava de uma preocupação teórica e distante, está agora na ordem do dia.
“Sem liberdade de expressão não há democracia e, portanto, num país no qual se começa a notar esta degradação de que, para servir os interesses económicos, os interesses políticos de um determinado governo, um cronista português não pode por exemplo ser crítico do governo angolano, é um país que está a fragilizar a sua própria democracia”, afirmou o eurodeputado à Lusa, em contacto telefónico.
Segundo Rui Tavares, isto acontece no seio da União Europeia, que já teve muitos outros problemas relacionados com a liberdade de imprensa e o pluralismo, entre os quais destacou os casos da Itália e da Hungria.
Para a conferência de Pedro Rosa Mendes foram também convidados representantes dos Repórteres sem Fronteiras, uma organização não governamental (ONG) que trabalha no âmbito da liberdade de expressão e das condições de trabalho dos jornalistas, da Aliança Internacional dos Jornalistas, com a qual Rui Tavares tem colaborado para fomentar políticas em prol da liberdade de imprensa e o pluralismo, e da Federação Internacional dos jornalistas.
“Vamos divulgar o que aconteceu (...) e tentar enquadrá-lo nestes momentos de crises, de políticas de austeridade e de políticas europeias que, do meu ponto de vista, são muitíssimo perniciosas”, referiu Rui Tavares, adiantando que aguarda com alguma curiosidade pela reacção de outros eurodeputados portugueses.
A ideia é saber se outros membros do PE, que em outras alturas se pronunciaram em defesa da liberdade de expressão, vão agora apoiar este caso, ou pelo menos pretender investigar o que aconteceu com a crónica de Pedro Rosa Mendes e os outros cronistas, calada em circunstâncias que apontam, disse Rui Tavares, “um interesse por parte de alguns governantes que não querem que se critique o governo angolano em Portugal”.


