Os jornais em papel não vão morrer, diz presidente da Associação Mundial de Jornais

28.05.2009 - 10:04 Por Ana Machado
Os jornais atravessam dias difíceis, a publicidade escasseia e os leitores procuram cada vez mais os formatos digitais. Tudo isto é verdade, diz Gavin O’Reilly, presidente da Associação Mundial de Jornais (WAN na sigla original). Mas O’Reilly alerta quem pensa que os jornais em papel estão condenados à morte: estão enganados.
O’Reilly critica os analistas de media que insistem em decretar a morte dos jornais em papel quando, em muitos casos, o sector está em crescimento. Segundo dados estatísticos recolhidos pela WAN, a venda mundial de jornais aumentou 1,3 por cento em 2008, comparando com 2007, e o crescimento nos últimos quatro anos foi de 8,8 por cento. Venderam-se 539 milhões de jornais em 2008.
Para quem acredita que hoje só se lêem jornais gratuitos, O’Reilly avança com outro número: 1,9 mil milhões leram jornais pagos, todos os dias, em todo o mundo. E há mais 41 por cento de leitores do papel que na Internet. A WAN representa 18 mil títulos de jornais nos cinco continentes.
Mas se tivermos em conta os jornais gratuitos, então aí a leitura de jornais aumentou 1,62 por cento em 2008 e 13 por cento nos últimos cinco anos. Este sector tem especial destaque na Europa, onde 23 por cento dos jornais diários lidos em 2008 eram gratuitos.
Numa perspectiva global é um facto que as vendas diminuíram na Europa e Estados Unidos (3,7 por cento). Mas aumentaram em África, América Latina e Ásia, com destaque para os mercados da China, Índia e Japão.
Sobre a publicidade, O’Reilly acredita que a culpa da queda no investimento publicitário é da crise que se vive actualmente e que o mercado vai recuperar quando isto tudo passar. A publicidade caiu 5 por cento, em média, em 2008. E espera-se um acentuar desta queda em 2009. A imprensa detém 37 por cento do investimento publicitário, dados de 2008.

