• Primeira esplanada Time Out do mundo abre na Avenida da Liberdade
  • É possível convencer uma cidade a andar de bicicleta?
  • Petiscos com frango, das moelas à batata doce

Na primeira semifinal do Festival da Eurovisão

Os Homens da Luta sobem ao palco amanhã e já têm apoio de duas finlandesas

09.05.2011 - 09:58 Por Susana Almeida Ribeiro

  • Votar 
  •  | 
  •  29 votos 
Será que o povo vai dar vitória à dupla do megafone? Será que o povo vai dar vitória à dupla do megafone? (DR)
É já amanhã que os Homens da Luta representam Portugal na primeira semifinal do Festival da Eurovisão. Neto e Falâncio, os homens que popularizaram a expressão “E o povo, pá?”, vão subir ao palco da Esprit Arena, em Düsseldorf (Alemanha), para cantar o tema “A luta é alegria”, o 16º da noite.

São os camaradas do momento. Neto e Falâncio, os “bonecos” que nasceram no programa “Vai Tudo Abaixo”, na SIC Radical, preparam-se para agitar as águas. A estética sindicalista dos anos 1970 vai estar lado-a-lado com o glam-pop bem ensaiado que nos últimos anos tem contagiado o festival europeu da canção. A excepção foi a banda finlandesa de hard rock Lordi, que venceu o festival em 2006 com o tema "Hard Rock Hallelujah", deixando muitos europeus de meia idade de boca aberta.

Convenhamos: o Festival da Eurovisão não vale hoje o que valia nas décadas de 1960 e 1970. É difícil acreditar que, naqueles tempos, o País parava em torno das televisões e roía as unhas enquanto o xadrez diplomático distribuía pontos em função da vizinhança e das relações históricas entre as nações. Portugal nunca ganhou nenhum Festival da Eurovisão. Tivemos canções boas e más, letras poéticas e letras ocas, bons e maus intérpretes. Nunca ganhámos nada. E com isto se passaram os anos e se erodiu o interesse dos Portugueses.

Mas em 2011 as coisas parecem diferentes. Há muitos anos que não se falava do Festival da Eurovisão com interesse genuíno. E os culpados são a dupla humorística Jel (Nuno Duarte) e o seu irmão Vasco Duarte (Falâncio), que prometem precisamente levar a luta e a alegria ao palco de uma Europa que se dispôs a abrir os bolsos para ajudar Portugal. É uma espécie de revivalismo que está a dar a volta: temos outra vez o FMI em Portugal e a crise mobiliza os precários. As expressões “camarada” e “pá” voltaram a fazer sentido.

No respectivo perfil do Facebook, os Homens da Luta (http://www.facebook.com/pages/HOMENS-DA-LUTA/222620880121) têm colocado diversos vídeos e fotografias dos bastidores do festival. Já desfilaram no tapete vermelho, agitaram a bandeira portuguesa, convenceram duas finlandesas a mostrarem o seu apoio a Portugal (quer no concurso quer no bailout), foram recebidos pelo presidente da câmara de Düsseldorf e têm sido, genericamente, um dos concorrentes mais falados pelos media europeus.

A jornalista portuguesa Susana Moreira Marques escreveu num artigo publicado no jornal britânico “The Guardian” que este ano, todos aqueles que não ligam nenhuma ao Festival da Eurovisão e que até consideram a hipótese de sair da Europa quando este evento se avizinha, poderão este ano fazer a diferença votando em Portugal já amanhã e, depois, na final, caso os Homens da Luta se apresentem novamente em palco no próximo sábado à noite (dia 14).

Amanhã, depois da actuação de todos os concorrentes e por um período de 15 minutos, os Portugueses que estejam fora do País poderão votar por sms nos Homens da Luta. Este televoto valerá 50 por cento e o voto do júri internacional valerá outros 50 por cento. Em caso de empate, a votação do público será o critério de desempate.

Será que o povo - essa entidade colectiva em crise da qual os Homens da Luta se tornaram um porta-voz - vai dar vitória à dupla do megafone?

Notícia corrigida às 14h10



Estatísticas

  • 12 leitores
  • 22 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1493317

Comentário + votado

obvio que nao passam

Como cómicos a coisa até pegou bem. O problema é que eles estar no ar por 3 minutos e nesse tempo ...

Ricardo Freitas

09.05.2011 13:14

X

Mais em Media (13 de 14 artigos)

Ricardo Rodrigues diz que privatização da RTP extinguiria rádio e televisão nas regiões autónomas