Opinião: Palavras de honra

02.03.2010 - 14:54 Por Octávio dos Santos (jornalista e escritor)

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José António Saraiva, Henrique Monteiro, Francisco José Viegas e Eduardo Dâmaso, respectivamente director do jornal Sol, director do jornal Expresso, director da revista Ler e director adjunto do jornal Correio da Manhã, são jornalistas que recentemente disseram palavras que honraram a sua profissão... e eles próprios. Os quatro pronunciaram-se sobre as interferências, condenando-as inequivocamente, por parte de elementos do Partido Socialista e do Governo em empresas de comunicação social.

José António Saraiva é quem se viu envolvido na situação mais grave: em entrevistas concedidas, primeiro ao Correio da Manhã, depois ao i, revelou como Armando Vara, através do BCP, e recebendo "ordens directas" do primeiro-ministro, quis fazer depender a estabilidade económico-financeira do Sol da não publicação de notícias sobre o "caso Freeport". Henrique Monteiro, em artigo intitulado "Sócrates, os "crimes" e a verdade", refere uma "estratégia (para) secar completamente a informação aos grupos e jornais que (o PS) não domina, privilegiando descaradamente os jornais "amigos"", um "boicote claro na informação", a "hostilidade total do primeiro-ministro", que "chegou a mentir", a "brutalidade com que, por vezes, o poder os tratou (alguns jornais e jornalistas)" e as "tentativas para os domesticar".

Francisco José Viegas, em artigo intitulado "Liberdade e etc.", critica "os políticos para quem toda a vida pessoal foi ocupada em transformar a vida própria em vida pública (e que) não têm largueza de sensibilidade, nem escape, nem compensações. O seu rosto é o verdadeiro espelho da alma; não aprenderam a dissimular mais do que lhes ensinam os técnicos de comunicação e a intuição que vem dos combates dentro do aparelho. Qualquer obstáculo - ou crítica, injustiça, reparo - é uma tragédia." Enfim, Eduardo Dâmaso, em breve editorial intitulado "A "central" do Governo", denuncia que "nos últimos anos o Governo de José Sócrates usou meios públicos para fazer propaganda e campanha eleitoral. Quais? Assessores, chefes de gabinete, membros do Governo usaram o seu tempo, pago pelo erário público, instalações do Estado, meios informáticos públicos e informação privilegiada para fins de combate político".

Estes "quatro cavaleiros do após-crise" contestaram, com coragem, um tipo de condicionamento à comunicação. Contudo, e curiosamente, todos eles concordaram com outro tipo de condicionamento à comunicação, mais básico e mais grave, que também esta trupe político-partidária no poder desde 2005 tem tentado implementar contra a grande maioria dos portugueses: o "Acordo Ortográfico". Tanto o Sol como o Expresso anunciaram a adopção do AO. O Correio da Manhã já se submeteu àquele há algum tempo. E Francisco José Viegas escreveu o texto mencionado acima, inserido no seu blogue A Origem das Espécies, segundo a "nova ortografia" - aliás, nele podemos encontrar "atualmente", "desafetos", "redações", "direção"; ironicamente, F.J.V. insurge-se contra os "reformadores de costumes, que querem mudar por decreto" - como se não fosse exactamente isso o que o AO representa, como se a língua não fosse o mais essencial, o mais primordial dos costumes!

O "Acordo Ortográfico", há que recordá-lo, é uma aberração artificial que alguns alucinados e excêntricos, à falta de algo mais importante e útil para fazer, decidiram produzir há mais de vinte anos. E que, justificadamente, esteve no "limbo" até que, tanto em Portugal como no Brasil, as mais altas instâncias do Estado foram ocupadas em simultâneo por esquerdistas com "tiques" totalitários (uma redundância) - ou seja, De Sousa e Da Silva, ambos amigos e admiradores de Hugo Chávez - que resolveram recuperar e "oficializar" uma autêntica "novilíngua" que George Orwell talvez reconhecesse. Um "ato" de que Saraiva, Monteiro, Viegas e Dâmaso, entre outros, se tornaram colaboradores e cúmplices.

Aqueles meus colegas de profissão recusam um condicionamento mas aceitam outro. Eu a ambos digo "não". Eu não aceito a dignidade cortada a metade. Eu não me conformo com a desonra feita às palavras do meu país.

Artigo publicado na edição de 28 de Fevereiro de 2010

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OFENSIVA PSD

Que corajosos jornalistas!... Os suspeitos do costume, a soldo do assalto ao poder por parte do ...

Anónimo

04.03.2010 00:52

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