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Apesar de ainda não ter obtido autorização dos supervisores para adquirir uma posição nos donos da TVI

Ongoing entregou ao BESI venda da fatia que detém na Impresa de Pinto Balsemão

17.11.2009 - 16:08 Por Cristina Ferreira

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Nuno Vasconcelos ainda não tem a situação de negócio com a TVi definida Nuno Vasconcelos ainda não tem a situação de negócio com a TVi definida (Nuno Ferreira Santos)
A Ongoing, presidida por Nuno Vasconcellos, mandatou o Banco Espírito Santo Investimento (BESI) para vender a posição de 25 por cento que detém na Impresa, holding detida em mais de 50 por cento por Francisco Pinto Balsemão.

Contactada pelo PÚBLICO para se pronunciar sobre a iniciativa de venda da Impresa [que, entre outros activos de media, possui o "Expresso", a SIC, SIC Notícias e a "Visão"], fonte oficial da Ongoing recusou fazê-lo. E esclareceu que, tendo em conta que a Impresa "é uma empresa cotada, mesmo que quiséssemos comentar, não o podíamos fazer. Em todo o caso já foi dito que a participação na Impresa é meramente financeira".

O PÚBLICO sabe, no entanto, que neste momento Nuno Vasconcellos, em coordenação com o BESI, está a ultimar as condições financeiras que irão sustentar a futura negociação. O BESI, por seu lado, tem estado a sondar potenciais interessados para aferir se existe vontade de analisar o dossier. Para além de fundos institucionais, o BESI movimentou-se junto de investidores estrangeiros, nomeadamente angolanos e nacionais. Joe Berardo, que já teve uma posição na SIC, já veio a público manifestar disponibilidade para avaliar o negócio. Um potencial interessado poderá ser a própria Impresa e Francisco Pinto Balsemão, embora não tenham direito de preferência na venda.

A ligação da Ongoing ao BES é estreita. Nuno Vasconcellos possui uma posição no grupo, e, no final de 2008, a Ongoing devia ao BES quase 200 milhões de euros, 136 milhões dos quais ao BESI. Por sua vez, o BES tinha investido, directamente e através de fundos de clientes, entre 140 e 180 milhões de euros.

Ainda recentemente Ricardo Salgado manifestou publicamente o seu apoio a Vasconcellos, dizendo não ver "nenhuma razão para não darmos apoio" à Ongoing. "É uma empresa bastante dinâmica e com iniciativa. Nuno Vasconcellos é descendente de um fundador da Impresa e afilhado de Balsemão. Tem raízes no negócio dos media e deve continuar a garantir o sucesso do investimento nesta área", defendeu. Mas negou existir entre o BES e a Ongoing "uma relação preferencial".

Perante as informações de que o BESI estaria a vender a posição da Ongoing na Impresa, o BES recusou prestar esclarecimentos pelo facto de não comentar operações que envolvam os seus clientes.

OPA à Media Capital

A decisão de desinvestir na Impresa surgiu depois de a Ongoing ter avançado para a Media Capital (dona da TVI), estando em curso uma oferta pública de aquisição (OPA) até 35 por cento da holding dominada pela da Prisa, no valor de 122 milhões de euros.

A transacção, divulgada oficialmente um dia depois das eleições legislativas, surge desde o primeiro minuto rodeada de polémica por suspeitas de que a Ongoing, grande accionista da Portugal Telecom, estaria a funcionar como "barriga de aluguer" da operadora, que deu o primeiro passo para comprar a TVI. A concretizar-se esta aquisição - ainda aguarda parecer das autoridades de supervisão -, a Ongoing juntará a Media Capital à Económica (detentora do "Diário Económico").

Impresa não se envolve

"A Impresa, deliberadamente e porque está cotada em bolsa, não se quis envolver nesse processo", explicou fonte oficial do grupo Balsemão, adiantando, no entanto, que a Impresa "não tem preconceitos em relação a qualquer investidor, desde que partilhe dos valores que desde sempre foram os seus: independência, rigor e imparcialidade".

A iniciativa de saída da Impresa por parte da Ongoing não é, no entanto, alheia ao facto de Francisco Pinto Balsemão ter revelado que estava a preparar uma solução empresarial que garanta que o controlo do grupo se manterá nas mãos da sua família.

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