A Ongoing admite vender a posição de 23,5 por cento que detém na Impresa (SIC/Expresso) se chegar a acordo para comprar pelo menos 50 por cento da Media Capital, accionista da TVI, afirmou hoje o seu presidente, Nuno Vasconcellos, durante a apresentação pública de José Eduardo Moniz como novo vice-presidente da empresa do grupo para a área de média (Ongoing Media).
Questionado pelos jornalistas sobre a atitude em relação à Impresa caso entrasse na TVI, Nuno Vasconcellos disse que se houvesse oportunidade de ficar com 50 por cento da televisão de Queluz de Baixo, admitia "reconsiderar a posição" no grupo da SIC.
Quanto à existência de negociações paralelas com os espanhóis da Prisa (dona da Media Capital e da TVI) e com a Impresa, Vasconcellos disse que neste momento não há conversações com os dois grupos de média, mas sublinhou que o primeiro objectivo continua a ser o grupo liderado por Francisco Pinto Balsemão. "A estratégia está definida: a prioridade serão sempre os grupos onde estamos", afirmou.
Balsemão mostrou-se recentemente preocupado com o interesse manifestado pela Ongoing na TVI e na Media Capital, já que o grupo de Nuno Vasconcellos é o segundo maior accionista da SIC, com 23,5 por cento da casa-mãe (Impresa).
Notícias recentes indicam também que o presidente da Impresa se recusou a aceitar uma oferta da Ongoing, que implicava abdicar da maioria de capital do grupo que fundou - processo em que Balsemão teve a ajuda de Luiz Vasconcellos, vice-presidente da Impresa até à sua morte em Janeiro deste ano e pai de Nuno Vasconcellos.
Confrontado com estas notícias, o presidente da Ongoing sublinhou que não divulga conversas privadas. A empresa sublinha que está interessada apenas em posições que lhe permitam a maioria do capital ou então partilhar a gestão dos negócios em que entra.
Brasil e África lusófona são apostas
Fora de Portugal, a aposta estratégica da Ongoing é expandir-se nos mercados lusófonos, nomeadamente o Brasil, onde o grupo está a analisar o lançamento de um jornal económico ainda este ano, e Angola, onde têm uma parceria com a Score Media. O interesse estende-se aos outros países africanos de expressão portuguesa.
Quanto à situação financeira do grupo, Vasconcellos indicou que a Ongoing "tem todas as condições e parceiros financeiros para a ajudarem a crescerem", rejeitando a eventual existência de capitais angolanos na empresa.
A Ongoing terminou o exercício de 2008 com uma situação líquida de 50 milhões de euros e 100 milhões de euros de dinheiro em tesouraria, disse.
Notícia actualizada às 14h45


