O Primeiro de Janeiro: bens da empresa responsável por indemnizar trabalhadores vão ser liquidados 
27.10.2009 - 15:23 Por Lusa
Os bens da empresa Sedico, responsável pelo pagamento dos trabalhadores demitidos de "O Primeiro de Janeiro", vão ser liquidados, depois de os credores terem hoje rejeitado o plano de recuperação apresentado.
Do grupo de credores que hoje votaram contra o plano de recuperação, no Tribunal do Comércio de Gaia, fazem parte não só os trabalhadores despedidos ilegalmente em Julho de 2008 (a quem a Sedico deve mais de 840 mil euros) mas também a própria Segurança Social, cuja dívida ascende aos quatro milhões de euros.
As dívidas da empresa ao Estado (Segurança Social e Finanças) ultrapassam neste momento os 5,7 milhões de euros, uma quantia apenas superada pela dívida a fornecedores, estimada em quase oito milhões de euros.
O plano, alvo de muita controvérsia na sessão, foi rejeitado por conter “informações imprecisas e vagas”, não merecendo “qualquer credibilidade”, sustenta um requerimento entregue por alguns dos jornalistas despedidos do Janeiro.
Redigido pelo administrador da insolvência, o plano propunha, nomeadamente, que “a viabilização da empresa é a melhor solução de forma a conciliar todos os interesses, sendo necessário proceder a uma actuação no seu passivo, o que exige a boa vontade e colaboração de todos os seus credores”.
Uma das propostas passava, pois, pela redução do passivo, devendo os credores perdoar 60 por cento das dívidas, pelo que aos trabalhadores a Sedico passaria a dever pouco mais de 260 mil euros.
Na assembleia de credores desta manhã, o plano - “feito por um economista especializado”, disse o administrador - foi severamente contestado pelos credores, que criticaram, entre outros pontos, a previsão de “1,8 milhões de euros de facturação em 2009” patente no documento.
Segue-se agora a liquidação dos bens da empresa insolvente Sedico, tendo o juiz responsável pelo processo, Sá Couto, solicitado aos próprios credores que sinalizem situações que o tribunal desconheça para que possam juntar-se à massa falida.
Em causa está o acervo fotográfico e a colecção de jornais de "O Primeiro de Janeiro", que os credores temem que “possa desaparecer”.
Depois de os bens serem liquidados, será marcada uma data para sentença de verificação de graduação de créditos para que o juiz defina quais os credores que irão receber em primeiro lugar.
À saída, Paulo Almeida, um dos jornalistas despedidos ilegalmente em 2008, explicou que agora “há algumas possibilidades de os trabalhadores receberem uma parte do montante que a empresa deve” mas não há “ilusões” quanto ao pagamento da totalidade dos salários em atraso.
Os trabalhadores aguardam ainda o início do julgamento que os opõe à Sedico e a Fólio (outra empresa do grupo de Eduardo Costa, que gere o título do jornal), adiado desde 14 de Maio no Tribunal do Trabalho do Porto.

