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Daniel Schorr 1916- 2010

O jornalista que irritava presidentes

26.07.2010 - 18:34 Por Joana Amaral Cardoso

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Schorr morreu aos 93 anos Schorr morreu aos 93 anos (Reuters)
Daniel Schorr era um jornalista de outra época, um homem de tempos mais polidos em que um repórter era confrontado com o seu próprio nome quando lia a lista dos inimigos do Presidente Nixon em directo na televisão e mantinha a compostura.

O jornalista trabalhou nos últimos anos – morreu sexta-feira em Washington, aos 93 anos – na NPR, a rádio pública dos EUA, onde os colegas o lembram como um profissional incansável, mas também como um homem que dactilografava bilhetes para os colegas e que foi convidado por Frank Zappa a cantar com ele numa iniciativa de apelo ao voto. E cantaram duas músicas de George Gershwin.

Os tempos na NPR foram a sua segunda vida jornalística – terminou uma carreira de 60 anos como comentador noticioso. Começou em 1948 como colaborador do New York Times (onde não ficou, no início da década de 1950, porque o direcção do diário decidira não contratar mais jornalistas judeus) e do Christian Science Monitor. Em 1953 estava já na CBS a forjar o primeiro marco da sua longa carreira – era um dos “Murrow’s Boys”, um dos membros da equipa do famoso jornalista televisivo americano Edward R. Murrow. Foi aí que nasceram as histórias que fariam a estória de Daniel Schorr: convencia, em 1957, Nikita Khruschov a dar a sua primeira entrevista televisiva; fazia uma cobertura do escândalo Watergate que lhe deu três Emmys; irritava os presidentes Nixon, Eisenhower e Kennedy.

Electricidade em directo

Em 1976 demitia-se da CBS depois de se ter recusado a revelar a fonte que lhe entregara um relatório sobre actividades ilegais da CIA, que noticiou mas que a CBS se recusou a publicar e que ele entregou ao jornal Village Voice – o que fez com que fosse suspenso na estação. Schorr ainda tentou ser professor universitário, sem sucesso, mas a televisão não o deixava – voltou, mas nos ecrãs da CNN. Seis anos depois, zangava-se também com a CNN e com Ted Turner.

“Pode ser que seja apenas difícil lidar comigo, mas sempre me pareceu que havia algumas questões de princípio envolvidas”, comentava sobre as suas desavenças com os patrões nas suas memórias, Staying Tuned. Na rádio, estava feliz. “Aqui, nunca me disseram o que não podia fazer”, explicava ao USA Today em 2006.

O seu momento mais tenso foi mesmo vivido em directo. Richard Nixon, Presidente entre 1969 e 1974, tinha uma agora famosa lista de inimigos. Um ano antes da sua saída, coube a Daniel Schorr revelá-la em directo na CBS, lendo os primeiros 20 nomes do rol. O 17.º nome era o seu. “Consegui não me engasgar. Comecei a suar imenso. Foi o momento mais electrizante da minha carreira.” Mas o mais relevante foi mesmo aquele que ditou a saída da CBS e a sua audição no Senado dos EUA, onde se recusou a revelar as suas fontes.

Não era, ainda assim, consensual. Em 1977, lembra o Washington Post, foi classificado pelo também histórico jornalista Bob Woodward (que, com Carl Bernstein, noticiou o caso Watergate) como “um dos melhores jornalistas televisivos e um dos repórteres mais duros do sector”. No mesmo ano, numa crítica ao seu livro Clearing the Air, Woodward lamentava que o jornalista “arrogante” “embelezasse” os seus feitos.

Um “furo” aos 12 anos

Mas a nostalgia perante a sua morte é evidente. Na NPR, Schorr conseguia “dar continuidade a essa credibilidade jornalística que tanto falta hoje ao jornalismo televisivo e de rádio”, diz Michael Harrison, da revista sobre rádio Talkers. Para o editor da revista Inside Radio, Tom Taylor, citado pelo USA Today, com a morte de Schorr perdeu-se “o elo vivo à maior geração de jornalistas de rádio e de TV” encabeçada por Murrow, o homem que dirigiu uma série de reportagens que questionavam a conduta do senador da “Caça às Bruxas”, Joseph McCarthy. “A sua carreira lembra-nos o tempo em que a fronteira entre notícias e entretenimento era clara”, remata Michael Harrison.

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Polido quer dizer liso, não quer dizer educado.

Acabem com as traduções literais do inglês, nunca resultam. Em inglês, polite = ...

Eu

29.07.2010 07:53