"New York Times" e "Washington Post" reduzem custos através de despedimentos e cortes salariais

27.03.2009 - 18:38 Por Lusa, PÚBLICO
Dois dos jornais norte-americanos com maior prestígio, o “The New York Times” (NYT) e o “Washington Post” (WP), anunciaram ontem uma nova fase de contenção dos custos, devido à redução das receitas publicitárias que se tem vindo a agravar recentemente.
Estão previstos cortes salarais e alguns despedimentos, uma vez que as receitas publicitárias registaram uma "queda devastadora", não havendo perspectivas de melhoras.
"Estamos a passar por uma redução permanente da indústria", disse Ken Doctor, analista da consultora informativa Outsell.
"A estrutura de custos dos jornais não vai conseguir suportar todas as actividades informativas a que os leitores estão já habituados. E mesmo quando houver uma recuperação, não vão ser restabelecidos os níveis de pessoal anteriores à recessão", acrescentou.
O NYT que emprega cerca de duas mil pessoas, estima despedir pelo menos cem trabalhadores da área comercial. Para além disso, está a considerar reduzir os salários da maioria dos funcionários em pelo menos cinco por cento entre Abril e Dezembro deste ano. Os funcionários afectados pela redução salarial podem vir a receber 10 dias de folga, de modo a compensar as perdas monetárias.
Por sua vez, o WP não especificou quantos postos de trabalho tenciona eliminar mas avançou que vai propor aos trabalhadores formas de reduzir nos custos, como, por exemplo, reformas antecipadas.
As delegações do WP de Springfield e Virgina, nos Estados Unidos, deverão ser das mais afectadas.
Tanto um como outro jornal têm tido maus resultados económicos. A empresa que detém o NYT, a Times Co., registou uma quebra das receitas de 47 por cento no quarto trimestre do ano de 2008. E o WP também perdeu 25 milhões de dólares (18,8 milhões de euros) no ano passado, sendo esperadas ainda mais perdas para este ano
Como muitos outros jornais, os dois jornais americanos viram-se afectados pelas quebras nas receitas de publicidade, pela diminuição de circulação dos jornais em papel e pela cada vez maior migração de muitos leitores da edição em papel para conteúdos gratuitos online.

