Os downloads de vídeo e televisão pela Internet vão multiplicar-se por dez até 2012 e o negócio valerá 4,9 mil milhões de euros, graças à enorme penetração das novas tecnologias nos hábitos dos consumidores de media.
Esta é a conclusão do estudo "Vídeo e televisão online: além dos conteúdos gerados pelos utilizadores" da empresa de análise dos media Informa Telecoms & Media.
Os autores do estudo, Adam Thomas e Simon Dyson, indicam que está a emergir "um novo consumidor" que exige assumir o controlo sobre os conteúdos que vê. E esta "nova geração de consumidores encontra dificuldades em alinhar-se ao modelo passivo de consumo da televisão linear". Daí o crescimento do consumo de "media on demand" e por subscrição, "sintomático das actuais mudanças culturais profundas que estão a ter um enorme impacte no negócio dos modelo televisivo tradicional".
Segundo o estudo, os Estados Unidos são e continuarão a ser o número um do mercado de serviços de vídeo e televisão online. Nos próximos dez anos, a facturação destes serviços nos EUA passará de 415 milhões de euros em 2006 para mais de três mil milhões de euros. Atrás dos EUA surge o Reino Unido, cujas receitas crescerão dos 33 milhões de euros de 2006 para mais de 550 milhões de euros, seguido pelo Japão (que aumenta de cerca de 18,5 milhões de euros para quase 400 milhões de euros), Alemanha (de quase sete milhões de euros para quase 200 milhões de euros) e França (de quase oito milhões de euros para mais de 183 milhões de euros).
Acompanhar a tendência digital é crucial
Simon Dyson explica que o modelo tradicional de negócios da televisão "já reconheceu algumas mudanças e impulsiona novos conceitos", como o vídeo e "TV on demand", que inclinam a balança do poder para o consumidor.
Contudo, algumas empresas ainda não apostaram nestes serviços online. "Em vez de abraçarem a televisão online, eles [as empresas que descuidam o digital] enterram as suas cabeças na areia" e esperam que a ameaça digital desapareça por si, lamenta Adam Thomas em declarações ao Financial Times. "Isso não acontecerá."
Segundo o estudo, "as empresas que não colocarem os seus conteúdos online irão sofrer os efeitos da pirataria" à semelhança da indústria musical, que sofre graves prejuízos e só agora está a aderir ao novo modelo de negócio.
Adam Thomas disse ainda, citado pelo e-Marketer, um site sobre o universo dos media, que têm de ser os próprios canais a partilhar os seus conteúdos através de um serviço legal pago "para adaptar a sua oferta ao novo consumidor". Como fizeram, por exemplo, os canais norte-americanos CBS e NBC, que registaram um aumento considerável na procura dos seus programas na Internet.
Mas "o desafio para a indústria televisiva é rentabilizar o interesse massivo nos conteúdos online" sem prejudicar os seus negócios tradicionais. De acordo com o estudo, as empresas devem colaborar com sites de multimédia, como o YouTube ou Google Vídeo, que são uma mais-valia para conquistar o mundo digital.


