Júlio Magalhães, 46 anos, vem hoje do Porto para Queluz de Baixo para assumir o lugar de novo director de informação da TVI, num momento de grande tensão relacionada com o fim, imposto pela administração da estação televisiva, do Jornal Nacional das sextas-feiras, apresentado por Manuela Moura Guedes. Em entrevista ao PÚBLICO, salienta que a prioridade vai ser estabilizar o ambiente entre os 150 elementos da redacção e assume que os próximos tempos vão ser difíceis.
Toma posse amanhã [hoje]. Quais vão ser as prioridades da nova direcção de informação da TVI?
Para já, queremos devolver estabilidade à redacção. A TVI sempre teve um bom ambiente na redacção mas os últimos acontecimentos, com a saída do José Eduardo Moniz e o final do Jornal Nacional das sextas-feiras, precipitaram alguns tumultos e desestabilizaram o ambiente.
Em que áreas vai haver uma maior rearrumação, incluindo os pivots que apresentam os noticiários?
A rearrumação vai ser sobretudo a nível dos editores. Depois, temos também o TVI 24. O canal [de informação] arrancou em Março, mas já num momento de crise. Depois, veio este momento de instabilidade e há muito trabalho a fazer.
Em que aspectos?
Para já é preciso dar conhecimento do canal. A TVI também tem de ser uma alavanca grande para o TVI 24, e dentro do próprio canal temos de repensar conteúdos, pessoas, tem de haver mais gente envolvida, porque a redacção é a mesma.
Em termos de pivots e de editores, já estão definidas as mudanças na TVI?
Vou a partir de amanhã [hoje] começar a falar com pessoas. Estive a descansar nestes últimos dias para começar agora em força.
Mas foram anunciadas já algumas mudanças...
O Pedro Pinto e a Constança Cunha e Sá passam a editores principais, o José Carlos Castro e eu vamos sair da antena. O Luís Sobral sai de editor de desporto, temos de arranjar alternativas também.
A administração da Media Capital justificou a alteração da grelha com razões económicas. Sentem essas restrições no orçamento?
É evidente que há uma contenção de despesas, por exemplo, com viagens ao estrangeiro que já não são feitas. Mas não sei se essa foi a justificação para suspenderem o jornal. Acho que havia ali um litígio latente há muitos meses entre a administração e a direcção de informação sobre o jornal, mas ainda não nos deram nenhumas justificações, nem económicas nem outras.
Teve a ver com o quê, na sua opinião?
O Jornal Nacional tinha uma equipa própria, era uma espécie de jornal semanário. E é evidente que há muito tempo havia um incómodo grande sobre o jornal. A mim não me deram razões nenhumas, nem queria fazer comentários sobre isso.
Mas também houve pressões políticas, e isso é público.
Todos sabemos que há sempre a tentação da pressão política e houve também litígios fortes nessa área. Tudo isso foi um acumular de situações que fizeram daquele um jornal muito polémico, que acabou por ganhar uma dimensão de tal ordem que, com a saída do José Eduardo Moniz [de director-geral da TVI], não houve possibilidade de gerir bem a situação. Houve falta de bom senso na gestão das coisas e acabou por culminar nisto. Mas aquilo era uma guerra e um tema muito polémico e muito dividido que se arrastava entre aquele jornal e aquela administração e toda a gente sabia disso.
Qual das administrações? Do grupo Prisa ou aqui em Portugal?
Que eu saiba, era a administração que manda aqui em Portugal, mas não tenho conhecimento se houve indicações da parte do grupo Prisa.
Levou algum tempo a aceitar o novo cargo?
Primeiro, não estava à espera de ser convidado, porque todos sabem da minha intenção de não sair do Porto. A partir do momento em que fui convidado, tive um almoço em Leiria com dois administradores [Bernardo Bairrão e Juan Herrero] e depois condicionei a resposta a uma conversa com a família, porque isto implica uma mudança minha para Lisboa e a família ficar no Porto sozinha. Também tive muitos colegas meus a pedirem-me para aceitar, a darem todo o apoio. Se eu sentisse que a redacção estava dividida não teria aceite, mas não foi o caso.
Não teme vir agora a ser encarado como um yes man?


