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Aos 88 anos

Morreu o jornalista e escritor brasileiro Joel Silveira

16.08.2007 - 11:37

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 (PUBLICO.PT)
O escritor e jornalista Joel Silveira morreu ontem, aos 88 anos, no Rio de Janeiro. Silveira, que sofria de cancro da próstata, estava doente há muitos anos. Nas últimas semanas, uma anemia profunda piorou o seu quadro clínico. Segundo a sua filha Elisabeth Silveira (61 anos), o jornalista morreu enquanto dormia, às 08h00.

"Ele tinha um tumor há muitos anos e não quis fazer nenhum tratamento", disse Elisabeth. "Mas morreu em paz, como merecia."

A pedido do jornalista, não haverá velório. A cerimónia de cremação tem lugar hoje, no crematório da Santa Casa de Misericórdia. A despedida tem início às 14h00. Silveira deixa três filhos.

Silveira fez uma carreira de mais de 60 anos no jornalismo. Nascido em 1918 na cidade de Lagarto, começou por trabalhar num jornal local. Aos 19 anos mudou-se para o Rio de Janeiro e trabalhou em grandes publicações, como "O Cruzeiro", "Diretrizes", "Última Hora", "O Estado de S. Paulo", "Correio da Manhã" e revista "Manchete".

Foi repórter especial, correspondente de guerra e lançou mais de 40 livros. Devido ao seu estilo, recebeu a alcunha de "víbora" por parte do jornalista Assis Chateaubriand. Ficaram famosas duas grandes reportagens sobre a sociedade paulistana, "Eram Assim os Grã-Finos em São Paulo" e "A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista".

Um dos pontos altos da sua carreira foi a cobertura da Segunda Guerra Mundial em Itália, junto à FEB (Força Expedicionária Brasileira), como correspondente dos "Diários Associados".

Ganhou o prémio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Em 2001, concorreu a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, para a cadeira de Jorge Amado, que morreu naquele ano. A candidatura era uma alternativa à de Zélia Gattai, que acabou por ganhar a eleição com 32 votos contra quatro. Segundo o jornalista, Zélia teria sido favorecida "por ser viúva de Amado, não por ser escritora". No ano anterior, o jornalista entrara na disputa pela cadeira de Barbosa Lima Sobrinho, mas desistiu perante a candidatura do jurista Raymundo Faoro.

Em Maio deste ano, Silveira foi homenageado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) no segundo congresso internacional organizado pela associação. Entre outros prémios, ganhou os prémios de jornalismo Líbero Badaró, Esso e o prémio literário Jabuti.

Reproduzido com a autorização da Folha Online

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