Um manifesto intitulado "Não calem o JN" ("Jornal de Notícias") vai recolher assinaturas junto de jornalistas, artistas, autarcas e outros políticos "contra o silenciamento de um diário que representa a voz da sociedade civil do norte" do país.
A iniciativa do manifesto surgiu de cerca de uma dezena de pessoas do Porto, explicou à Lusa Paulo Silva, jornalista, delegado sindical e membro do conselho de redacção do JN, na sequência do processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores de diferentes áreas do Grupo Controlinveste.
Anunciado pela administração da Controlinveste a 15 de Janeiro, e justificado por uma "profunda quebra de receitas", o despedimento afecta sobretudo os dois maiores jornais do grupo, o “Diário de Notícias” e o “Jornal de Notícias”.
"No caso do JN, são 23 jornalistas despedidos", precisou Paulo Silva, acrescentando que há mais alguns trabalhadores de outras áreas também abrangidos no processo de despedimento.
O manifesto, que define o JN como "o último grande jornal da cidade do Porto" e também o "último resistente à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na imprensa da cidade", alerta para "o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre representou as forças vivas da sociedade, primeiro passo para a efectiva e irreversível extinção".
Paulo Silva afiançou que o documento, que inclui a recolha de assinaturas, "não é uma iniciativa sindical, mas de um grupo de pessoas da sociedade civil", contra o que considera ser a descaracterização das redacções provocada pela remodelação em curso, e o silenciamento das questões que dizem respeito ao norte do país.
"Cada vez mais, o JN deixará de ser a montra dos problemas e dos anseios de vastas zonas do país (o fecho e o emagrecimento de filiais são paradigmáticos). Com isso, haverá um crescente isolamento de regiões que o centralismo tem colocado cada vez mais na periferia", lê-se no manifesto.
"Assistimos ao fim do Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro já não é o de outros tempos", assinalou ainda o jornalista, reiterando que, com este processo, "estão a calar a voz ao Porto e ao Norte" do país.
Paulo Silva adiantou que o manifesto não será colocado na internet, mas divulgado na próxima semana por contacto directo a jornalistas, políticos, artistas de várias áreas, e empresários para obter apoios.
Não está prevista, para já, a entrega da recolha de assinaturas a órgãos de soberania como a Presidência da República ou a Assembleia da República, mas está para ser marcada em breve uma sessão pública em defesa do JN.


