Humor na RTP1

Luís Franco Bastos, agora a cores

26.11.2009 - 11:56 Por Joana Amaral Cardoso

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Papel Químico esteve no São Luiz este Verão Papel Químico esteve no São Luiz este Verão (José Frades/Produções Fictícias)
Dizem que o humor português teve a explosão de popularidade e protagonistas que teve nesta primeira década do século XXI devido à multiplicação de plataformas e à possibilidade de se fazer coisas com piada com menos dinheiro. Se há alguém que consegue fazer rir com meios próprios e a custo zero, esse alguém é Luís Franco Bastos. Vive do que a sua voz - e muito treino - consegue fazer. Agora, é uma das estrelas de um novo programa de humor da RTP1 e o seu espectáculo Papel Químico, depois de ter sido reposto no São Luiz, vai agora rumar a Guimarães.

A pedido da direcção de programas da RTP1, as Produções Fictícias (PF) criaram O Que Se Passou Foi Isto, uma série de humor cujos contornos serão hoje revelados pelo canal, mas que conta com Bastos e com os actores Manuel Marques e Carla Salgueiro. Humor em torno da actualidade, claramente a mais do que três vozes. Porque Luís, que cumpre 21 anos este sábado, entre perucas, caracterização e gravações, tem muitas. Diz que só sabe ser engraçado a fazer de outras pessoas, mas admite que quer ser actor, substantivo levado tão a sério que para já está apenas no campo das conjecturas.

Para já, a figura do imitador confunde-se com a do humorista. "Não estou só a imitar a voz, estou a tentar representar, a dar o corpo [a personagens]", explica ao P2 durante o primeiro dia de gravações do novo programa. "Sou um humorista que faz imitações mas quero um dia ser actor."

"Já faço parte do grupo"

Em dois anos, passou da rádio para a Internet, depois para um episódio da segunda temporada de Os Contemporâneos e depois para Papel Químico, em nome próprio. Venceu a primeira edição dos Cómicos de Garagem e faz sketches para o Sapo. É orgulhoso membro da nova geração de humoristas e olhar dúplice sobre a coisa. Nos ensaios de O Que Se Passou Foi Isto, estava a ver o Manuel Marques e a pensar que o via no Herman SIC. "Agora estou cá dentro." E continua: "Já trabalhei com muita gente e sinto que já faço parte do grupo."

Volta ao início, ao primeiro vídeo que fez para a PFTV, o canal das PF na Internet, e evidencia a ginástica da geração Y: "As novas tecnologias foram determinantes. Ainda me lembro que estava a almoçar na faculdade, fui a correr para a gravação porque o convidado tinha falhado, ensaiei um texto escrito em 30 minutos e tive a sorte de gravar cinco minutos num único take." Correu bem, popularizou-o.

Agora não são as dezenas de milhares de visionamentos on-line, são as audiências e as centenas de milhares de espectadores a assombrá-lo. "Tenho plena consciência de que as audiências são um factor importante, mas mais importante é gostarmos do que fazemos. Não se trata de pressão, tenho consciência da responsabilidade, mas também sinto que estou a passar para outro nível e sinto-me preparado", diz.

Para a série da RTP1 não criou propriamente novas vozes/personagens. Mas "seja qual for o projecto é fundamental manter a coisa fresca" e haverá novidades. Alberto João Jardim ou Cristiano Ronaldo devem dizer "presente" na quarta-feira à noite.

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