Juan Luis Cebrián diz que “amigos” o alertaram contra estilo do “Jornal Nacional”

25.11.2009 - 13:49
Nunca viu o "Jornal Nacional" de sexta-feira, não conhece Manuela Moura Guedes e diz que “amigos”, que não identifica, o alertaram, depois do cancelamento daquele jornal, para o facto do estilo ali praticado não coincidir com o da Prisa. E nega ter ordenado o fim do bloco informativo.
Em entrevista à agência Lusa, em Madrid, o administrador delegado do grupo de media espanhol dono da TVI, recusa a acusação de que tenha havido influência externa na decisão de cancelar o “Jornal Nacional” de sexta-feira e garantiu que a decisão foi exclusiva do administrador delegado da Media Capital [Bernardo Bairrão] e da direcção do canal de televisão.
“As decisões não só da TVI, mas de todos os nossos meios de comunicação, são tomadas autonomamente pelos directores. A empresa nomeia os directores, mas as decisões profissionais são tomadas pelos directores”, afirmou Juan Luis Cebrián.
Cebrián garantiu ainda que nunca viu “esse telejornal tão famoso” e que nem sequer conhece a apresentadora Manuela Moura Guedes, acrescentando, porém, que “amigos portugueses e espanhóis” lhe fizeram vários comentários sobre o jornal.
“Depois da decisão ter sido tomada, recebi notícias de alguns amigos portugueses e espanhóis dizendo que esse telejornal não coincidia, no seu estilo profissional, com o estilo dos meios da Prisa”, afirmou.
Questionado sobre as notícias que o apontavam como directamente responsável pela decisão, Cebrián disse desconhecer o seu conteúdo: “Não li as notícias, e como se publica tanto sobre mim... não sei a quem as atribuir”, afirmou.
O responsável recordou ainda que a saída de Manuela Moura Guedes do Jornal Nacional “coincidiu” com o fim do contrato do marido, José Eduardo Moniz, e disse tratar-se de “uma situação um pouco atípica de que o seu marido fosse o director-geral da televisão”.
Ao mesmo tempo admitiu que houve pressões “a favor e contra” o cancelamento do “Jornal Nacional de Sexta”, mas sublinhou que essa é uma situação normal.
“Ela [Manuela Moura Guedes] continua na empresa porque não foi despedida, mas não sei o que faz. Deve estar na equipa informativa”, afirmou.
Em Setembro a suspensão do “Jornal Nacional de Sexta”, apresentado por Manuela Moura Guedes, tornou-se um dos temas mais polémicos do período pré-eleitoral, levando à queda da direcção daquela estação de televisão da estação e gerando um facto político que levou a oposição a insinuar que a decisão tinha por base uma intervenção do Governo, o que o primeiro-ministro desmentiu.
Quanto à percepção de proximidade entre a Prisa e os governos socialistas em Portugal e Espanha, Cebrián garantiu que praticamente não tem tido contacto com o executivo de José Sócrates, acrescentando que desde os contactos mantidos “há vários anos” com o Governo português, “através do primeiro-ministro e de outros ministros”, aquando do investimento na Media Capital, os contactos têm sido reduzidos.
“Desde aí, praticamente não temos tido contacto com o Governo português”, afirmou, considerando porém que o relacionamento entre a Prisa e o Executivo é “cordial”.
O administrador delegado da Prisa diz que “os meios de comunicação têm sempre conflitos com os governos, qualquer que seja o governo, o meio ou o país, por isso não me surpreende que possa haver conflitos entre a TVI e este governo, ou outro que venha, como os há entre o El Pais e o governo espanhol”.
Negócio com a PT
Juan Luis Cebrián lamentou ainda o falhanço das negociações para a entrada da PT na Media Capital e criticou a “agitação política” que “equivocadamente” rodeou o negócio.
“Teríamos gostado muito de ser parceiros da PT. Acreditamos que nos processos audiovisuais, ser sócios das empresas de telecomunicações, neste momento, é muito interessante para elas e para nós”, disse Cebrián.
“Houve alguma agitação política sobre este tema, equivocadamente, porque o que tínhamos estabelecido eram negociações estritamente profissionais que, infelizmente, não chegaram a bom termo”, explicou.

