José Eduardo Moniz diz que “há um cerco à liberdade de informação”

03.09.2009 - 16:07 Por Luciano Alvarez
José Eduardo Moniz considera "um escândalo" o cancelamento do Jornal de Sexta da TVI. Não sabe se houve ou não interferência política, mas diz que a “liberdade de informação está a ser alvo de um cerco cada vez mais apertado”. “Há um polvo que a aperta cada vez mais”, acrescenta.
José Eduardo Moniz, que abandonou o cargo de director-geral do canal há cerca de um mês, afirmou hoje ao PÚBLICO que cancelamento do Jornal Nacional de sexta-feira “é um escândalo empresarial e político” e “um sinal dos riscos que corre a liberdade de informação em Portugal".
Moniz, que é casado com Manuela Moura Guedes, sub-directora demissionária da TVI e apresentadora e coordenadora do Jornal de Sexta, considera ainda uma “fraqueza, um sinal de falta de inteligência e uma confrangedora incapacidade de lidar com a liberdade de informação ” acabar com o jornal.
Questionado se considera que houve interferência política no cancelamento do Jornal de Sexta, José Eduardo Moniz respondeu: “Não sei se houve ou não, mas que há várias fragilidades com a ligação da estação ao exterior há.”
“A inocência deixou de fazer parte da minha bagagem há muito tempo. Acredito que as coisas não acontecem por acaso e nada deve ser desenquadrado do seu contexto”, acrescentou.
O Jornal de Sexta foi alvo nos últimos meses de diversas críticas duras por parte do primeiro-ministro, José Sócrates, e por vários membros do Governo e do PS. Moniz anunciou mesmo que ia avançar com um processo judicial contra Sócrates, por considerar as suas declarações injuriosas.
Questionado sobre estas críticas de José Sócrates, Moniz: acrescentou: “Preocupa-me pouco o que pensa José Sócrates. Neste momento, o que me preocupa mais é o estado da liberdade do de informação em Portugal, que está a ser alvo de um cerco cada vez mais apertado. Há um polvo que a aperta cada vez mais.”
Notícia alterada às 17h03

