Jornalistas da RDP criticam direcção por condução “desastrosa” do caso Rosa Mendes

02.02.2012 - 19:17 Por PÚBLICO
Os jornalistas da RDP estiveram reunidos em plenário e condenaram “a forma desastrosa e lamentável” como a direcção de informação conduziu o caso da crónica do jornalista Pedro Rosa Mendes.
Em comunicado, aprovado por unanimidade e emitido no final do plenário (que reuniu “cerca de dois terços dos jornalistas em funções” da Antena 1, Antena 2, Antena 3 e RDP Internacional), a redacção
exige que a direcção de informação “retire, de imediato, consequências claras das suas contradições internas e da forma como geriu o processo” e quer que esta responda “em plenário de jornalistas a todas as dúvidas até ao cabal esclarecimento do assunto”.
Os jornalistas afirmam que a forma como o caso foi gerido permitiu "criar e arrastar no tempo suspeitas sobre a ética, honorabilidade, rigor e isenção de todos os profissionais da redacção da RDP" e dizem ainda recusar “qualquer tentativa de silenciamento ou censura”.
O espaço de crónicas Este Tempo foi encerrado na semana passada, pouco depois de uma crónica do jornalista Pedro Rosa Mendes ter criticado o programa Reencontro, realizado pela RTP em Luanda. Rosa Mendes era um dos cinco participantes no espaço, que fazia parta das manhãs da Antena 1.
"Luís Marinho [director-geral da RTP] – num momento de honestidade infeliz – admitiu que não tinha gostado nada da minha crónica e que ela ia acabar. O director adjunto da RDP, Ricardo Alexandre, confirmou isso mesmo, ontem [terça-feira], na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social]”, afirmou Rosa Mendes nesta quarta-feira, no Parlamento Europeu, onde esteve a convite do eurodeputado português Rui Tavares.
Marinho já antes afirmara que o fim do espaço estava planeado de antemão. Na sequência do caso, Ricardo Alexandre decidiu abandonar a condução das manhãs da Antena 1.
O comunicado dos jornalistas afirma também que “a redacção, sentindo-se representada pelo Conselho de Redacção, entende que este órgão foi desrespeitado ao ter sido confrontado com duas versões contraditórias sobre os mesmos factos”.

