Jornalista Adelino Gomes indigitado para provedor do ouvinte da RDP 
23.05.2008 - 12:19 Por Filipa Jorge
A Administração da RTP indigitou o jornalista do PÚBLICO Adelino Gomes para o cargo de provedor do ouvinte das estações da rádio pública, convite que foi formalmente aceite na quarta-feira, segundo o próprio disse hoje ao PÚBLICO. A Administração da estação pública já deu conhecimento da indigitação ao Conselho de Opinião da RTP, que terá de aprovar a escolha.
A nomeação do actual grande repórter do PÚBLICO para suceder a José Nuno Martins está agora dependente da votação do Conselho de Opinião da estação pública, que tem o poder de veto. Caso o seu nome seja aceite, Adelino Gomes, 63 anos e jornalista há 41, assumirá o mandato de provedor do ouvinte das estações da rádio pública num mandado de dois anos, com possibilidade de renovação por mais dois.
A sessão, onde Adelino Gomes será ouvido e o programa do seu mandato apresentado, ainda não tem data marcada. O Conselho de Opinião da RTP analisa os nomes indigitados pela administração tendo em conta três considerações essenciais, identificadas na lei: idoneidade, reconhecida competência e ter trabalhado no sector dos meios de comunicação nos últimos cinco anos.
Adelino Gomes disse hoje ao PÚBLICO já ter apresentado a sua carta de demissão ao jornal que ajudou a fundar. Segundo o jornalista, a demissão foi apresentada no dia em que o convite da administração da RTP foi formalmente aceite.
O jornalista é o segundo nome apontado pela equipa liderada por Guilherme Costa para o cargo. Em Março, a administração da estação pública indigitou Francisco José Oliveira. Este foi chumbado pelo Conselho de Opinião em Abril, depois de o órgão ter ouvido o profissional e o seu currículo ter sido analisado. A decisão deveu-se a “uma falta de condições” para cumprimento da função, nomeadamente “em termos de notoriedade, formação académica, relação com a rádio pública ou conhecimento do papel do provedor”, explicou na altura à agência Lusa um membro do Conselho, salientando “não estar em causa o mérito da pessoa”.
Veto do Conselho de Opinião da RTP origina processo em tribunal
Segundo noticiou o jornal “Expresso” esta semana, o veto do Conselho de Opinião da RTP e as declarações de membros do Conselho na imprensa sobre o assunto deram ainda origem a um processo em tribunal por parte de Francisco José Oliveira.
Francisco José Oliveira e José Maria Leitão, advogado a quem entregou o caso, vão avançar com uma acção civil por considerarem injuriosas e atentatórias da imagem e bom-nome profissional do actual responsável da agência de comunicação Emirec as declarações de membros do Conselho. Estes justificaram o veto pela incompetência e ignorância do cargo de provedor e do serviço público de radiodifusão.

