O futuro do Canal 2 há dois anos dedicado à sociedade civil, tem uma palavra orientadora: continuidade. Mas há ajustes a fazer ao modelo instituído no anterior governo social-democrata: o Executivo de José Sócrates já decidiu que a licença se manterá na RTP.
Jorge Wemans, à frente dos desígnios do Canal 2 desde Janeiro, garante que conta com os parceiros sociais do canal para seguir caminho. Ontem apresentou os seus planos da nova programação que arranca já na próxima semana: aposta na programação infantil, nas séries e na informação temática, num canal que se identifica cada vez mais como uma alternativa.
PÚBLICO - Esta semana terminam quatro programas da 2:. É um romper com o actual modelo para a sociedade civil ou apenas uma remodelação?
JORGE WEMANS - Existiam vários contratos para a produção de programas que terminavam no final de Março. Decidi não os renovar. Mas a 2: é e será um canal com uma relação única no que diz respeito à importância que reconhece à sociedade civil. O primeiro interlocutor que procurei após ter sido oficialmente nomeado director foi o presidente do conselho de acompanhamento [a estrutura que coordena a participação dos parceiros no canal, liderada por Guilherme d"Oliveira Martins].
Os parceiros já não têm a vontade de daqui a dez anos discutir se vão ou não tomar conta do canal. E isso, na actual legislação, não era uma imposição. Era uma possibilidade.
O canal já vai nos 75 parceiros. Pode esperar-se um aumento?
Há mais três dezenas que já mostraram vontade de participar.
Quais as mudanças estratégicas previstas?
A missão da 2: mantém-se: ser um canal alternativo. Há continuidade. Este é o canal do conhecimento e da cultura, que dá espaço a uma programação para públicos específicos, ligado às comunidades religiosas, minorias, crianças e modalidades desportivas amadoras. E é também nossa missão criar condições para que a produção audiovisual nacional independente possa crescer.
Qual é o papel da produtora RTP Meios nesse contexto?
É uma prestadora de serviços que tem meios de realização e transmissão.
E de realização...
Sim, mas muito pouco. Tudo em Família e Causas Comuns eram realizados no espaço da RTP Meios, mas recorrendo a produtoras externas. Ajudar a financiar os projectos de pequenas produtoras é contribuir para uma rede.
E criar essa rede de produtoras é também mais barato para o Canal 2?
Não. Todos os documentários que a 2: ajudou a realizar sobre Jorge de Senna, Agustina Bessa Luís, Júlio Pomar, entre outros, não foram de baixo custo. Foram de justo custo, tendo em conta o valor das pessoas em causa.
O novo modelo do Canal 2 deveria ser mais barato que o anterior...
O orçamento em 2005 foi de 20 milhões de euros e este ano é de 21,2 milhões. Poderá ser acrescido de uma parte da taxa de televisão da EDP que deverá ser cobrada aos consumidores industriais.
Que outras novidades estão previstas?
A seguir às 00h30 vamos ter uma programação para um público muito exigente, com ofertas mais temáticas e que variam semanalmente. Ciclos de features, de reportagens jornalísticas e documentários, de alguma série mais especial.
Público que, a essa hora, está algures nos canais por cabo. Tenciona mudar o perfil do espectador?
A 2: assume claramente que não tem do público televisivo uma visão compacta ou de quanto mais melhor. Programamos em função do que queremos ser como canal alternativo para as mais diferentes faixas etárias. Mas o universo do cabo é muito vasto, dos canais de cinema até ao desporto. Nós com isso não vamos competir.
Que informação jovem haverá depois do fim do Quiosque?
Programar televisão para adolescentes não é um exercício fácil. É um tipo de programação que não se atinge com programas que mantêm uma ambiguidade entre o infantil e o juvenil. Esse era o caso do Quiosque. Apesar do esforço, aquele não era o que queríamos. Não é ainda na Primavera que vamos ter uma resposta para essa pergunta. É uma resposta difícil de dar com coerência e qualidade.


