João Mesquita: amigos consideram-no homem "íntegro", de "verdade e causas"

12.03.2009 - 15:05 Por Lusa, PÚBLICO
O pró-reitor para a Cultura da Universidade de Coimbra, José António Bandeirinha, destacou hoje a "integridade a toda a prova" do falecido jornalista João Mesquita, editor da Revista Rua Larga, publicada pela instituição.
"As qualidades são indivisíveis de uma pessoa cuja integridade a toda a prova já é difícil encontrar, quer no plano profissional como pessoal", considerou o professor universitário, que hoje "perdeu um grande amigo".
A morte de João Mesquita, hoje de madrugada, representa, na opinião de José António Bandeirinha, "uma perda irremediável para a cidade de Coimbra (onde nasceu) e todos os seus amigos".
O arquitecto considera que o antigo presidente do Sindicato dos Jornalistas era "uma pessoa com uma relação muito diferenciada e íntegra com a cidade e a Universidade de Coimbra".
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) lamentou hoje a morte do jornalista. "Profissional exemplar, cidadão consequente com as suas convicções e sindicalista coerente com os seus princípios morais e profundamente dedicado às causas da classe" é como a direcção do sindicato descreve João Mesquita. Em comunicado, o sindicato refere que o jornalista percorreu um caminho de vida de resistência às injustiças, de intervenção cívica e política, e de participação nos combates a que se entregou ao longo da vida.
Também a presidente da Associação Cívica de Coimbra Pro-Urbe, Ana Pires, se manifestou hoje chocada com a morte do jornalista, um "homem de verdade e de causas".
"Era um homem que procurava sempre a verdade nos afectos, nas causas, nas notícias, um grande jornalista de investigação", considerou Ana Pires.
João Mesquita, que faleceu hoje vítima de doença pulmonar, foi um dos mentores e fundadores da Pró-Urbe, tendo como aliados Ana Pires, José António Bandeirinha, Boaventura Sousa Santos e Natércia Coimbra.
Ana Pires recorda-o ainda como "um homem sempre de esquerda, íntegro, que não ia em cedências nem concessões mas, como se respeitava a si, também respeitava os outros".
"Ele era tão verdadeiro consigo, com os seus amigos, mas ao mesmo tempo não tinha nada de fanático ou moralista", disse, referindo que, ainda no último fim-de-semana, "mesmo tão fraco", veio a Coimbra para ver jogar a Académica.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, lamentou hoje a morte do jornalista João Mesquita. "Lamento muito a morte do jornalista João Mesquita, que me habituei a admirar como jornalista e também como sindicalista, activista e dirigente da estrutura sindical dos jornalistas", disse. Para o ministro, o jornalismo português ficou hoje "mais pobre".
O presidente do Núcleo de Veteranos da Académica, Frederico Valido, também lamentou a morte do "amigo" João Mesquita, revelando que ficou mais um capítulo da Briosa por contar, devido à sua prematura "ausência". "É uma perda muito grande para a Académica. Tinha uma relação muito longa com o João, que remonta a 1994, desde a realização do Congresso da Académica. Ele foi uma figura muito importante no lançamento do livro dos Veteranos em 1999, na direcção de Mário Campos", recordou o dirigente.
O corpo estará hoje à tarde na Igreja de São João Evangelista, em Lisboa, seguindo sexta-feira para o cemitério da Lousã.
Notícia actualizada às 18h49

