Jornalista decidiu retirar o texto

JN afirma que o artigo de Mário Crespo "não era um simples texto de opinião"

01.02.2010 - 18:37 Por PÚBLICO

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Mário Crespo Mário Crespo (PÚBLICO)
A direcção do "Jornal de Notícias" informou esta tarde, através de uma nota publicada no site do jornal, que o jornalista da SIC Mário Crespo cessa, a seu pedido, a sua colaboração com o diário. “O jornalista Mário Crespo foi até ontem colaborador de opinião do 'Jornal de Notícias'. Essa colaboração cessou por sua vontade”, adianta a nota da direcção.

As dúvidas que o texto que escrevera para publicação na edição de hoje do jornal, intitulado “O fim da linha”, suscitavam levaram o director do JN, José Leite Pereira, a contactar domingo à noite o jornalista. “Basicamente, no entender do director do JN, o texto de Mário Crespo não era uma simples texto de opinião, mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado, necessitavam de confirmação de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa”, acrescenta a nota.

Do ponto de vista da direcção do "Jornal de Notícias", “o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante”, de Lisboa. Da conversa entre o director e o colaborador resultou, segundo a informação disponibilizada no site do jornal, que Mário Crespo decidiu retirar o texto de publicação, informando que “cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a direcção do JN respeita”.

O Gabinete do primeiro-ministro já informou que, para já, não pretende fazer qualquer comentário à denúncia de uma alegada conversa entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um executivo de televisão em que Mário Crespo, jornalista da SIC, é referenciado como "mais um problema que tem que ser solucionado".

Contactado pelo PÚBLICO, um assessor de José Sócrates adiantou que “é provável que o primeiro-ministro não tenha ainda tido conhecimento” da denúncia de Mário Crespo “porque tem estado ao longo do dia em acções públicas”, no âmbito dos cem dias de Governo.

Num texto, intitulado “No fim da linha” e que deveria ter sido publicado na edição de hoje do “Jornal de Notícias”, Mário Crespo relatava a conversa supostamente ocorrida na passada terça-feira, durante um almoço em Lisboa, e que lhe foi transmitida por algumas testemunhas. O "pivot" da estação de Carnaxide deixa de escrever opinião no "Jornal de Notícias" depois de, ontem à noite, lhe ter sido negada a publicação do texto.

Ouvido pelo PÚBLICO, Mário Crespo afirma ter sido contactado pelo director do “Jornal de Notícias”, José Leite Pereira, por volta da meia-noite. Nessa conversa, o director do diário informou o “pivot” da SIC que não iria publicar o seu habitual texto de opinião e que “iria investigar” as alegações nele relatados. O jornalista da SIC contrapôs afirmando que se aquela crónica não fosse publicada deixaria de escrever para o “Jornal de Notícias”. Hoje, Mário Crespo confirmou o abandono da colaboração semanal que mantinha com o JN.

Questionado sobre se alguma vez se sentiu pressionado sobre a sua conduta nos programas de informação que apresenta na SIC, Mário Crespo afirmou que nunca sofreu nenhum tipo de influência naquela estação de televisão privada e mantém a confiança da direcção de informação, com quem já falou sobre o caso.

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Comentário + votado

MARIO CRESPO ASSINOU? O JN foi badalhoco

Se Mario Crespo assinou, responsabilizou-se pelo artigo. Logo, o JN nada tem a ver com ele-artigo-. ...

R.Gera

01.02.2010 20:04

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