Internet está a tornar-se no meio privilegiado para as fraudes financeiras, reconhece a PJ

14.11.2007 - 10:04 Por Sara Capelo
A fraude financeira pratica-se cada vez mais através da Internet. Esta foi a conclusão dos especialistas reunidos, ontem, em Lisboa, na conferência Prevenir e detectar a fraude em cartões e pagamentos online.
Os principais motivos apontados foram: a maior preocupação por parte das entidades bancárias e emissoras de cartões electrónicos, a substituição da banda magnética nos cartões por chips (menos fáceis de copiar) e a maior dificuldade de detecção dos criminosos pela Internet.
Até ao final de Outubro deste ano, a PJ contabilizou 54 inquéritos de crimes praticados on-line (apropriação de dados em sites de jogos e de vendas electrónicas), contra os 21 de 2006. Também o phishing (o utilizador é induzido, normalmente por e-mail, a fornecer os seus dados) registou uma subida, passando de 75 inquéritos em 2006 para 83 este ano. Quanto aos inquéritos sobre a cópia ou clonagem de cartões electrónicos (skimming), até Outubro registaram-se 64, contra os 78 do ano anterior.
O maior problema no combate à fraude de cartões e pagamentos online está no actual enquadramento legal, disse Rosa Mota, coordenadora de investigação criminal da PJ. "A alteração à lei penal foi uma desagradável surpresa, porque não se aplica à realidade existente." A coordenadora da PJ considerou que "está na hora de se fazer alguns acertos na lei penal portuguesa" para prevenir este tipo de crimes.
A exposição de Portugal à fraude internacional tem sido combatida pela PJ em conjunto com a Interpol e a Europol. Ainda assim, o país está na rota das burlas devido à livre circulação de pessoas e ao fenómeno global da Internet, explicou o inspector da PJ, Álvaro Tomé. Os dados disponíveis para 2007 indicam que o maior número de detidos acusados deste tipo de crimes veio da Bulgária (11), da Roménia (6) e do Brasil (3). Os outros quatro detidos são de Portugal, Espanha, Guiné e Cuba.
Na conferência, o consultor do SysValue João Carlos Fernandes deixou um aviso às entidades financeiras, que "funcionam cada vez mais on-line": os bancos devem ter em atenção que "o canal Internet nunca será totalmente seguro".

