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Inquérito: Herman José, 56 anos, humorista

22.03.2010 - 08:09 Por Miguel Esteves Cardoso, José Diogo Quintela, Pedro Mexia

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Com que idade percebeu que falhou na vida?
Aos quatro anos, quando realizei que tinha nascido no lado errado do Atlântico.

Qual é a diferença entre um alfacinha e um tripeiro?
Os tripeiros têm a sorte de estar mais perto de Londres.

Qual a sua qualidade que mais irrita os seus amigos?
Pragmatismo.

Qual o seu defeito que mais os enternece?
Estar a quatro anos de ser sexagenário.

Trata de forma diferente as pessoas feias e as bonitas?
Obviamente. Sou infinitamente mais gentil para as pessoas feias.

Quando está com uma pessoa deficiente exagera no ignorar da deficiência?
Quando se trata de deficientes mentais ao serviço de orgãos de soberania, não tenho outro remédio senão ignorá-los. São vingativos e inimputáveis.

Com que figura pública se acha fisicamente parecido?
Alec Baldwin. Infelizmente. Preferia o Zac Efron.

Tem números que memorizou no telemóvel só para não atender?
Não, mas acabaram de me dar um excelente ideia.

Com que regularidade se googla?
Constantemente.

Que jornal ou revista usaria para matar um insecto?
Tenho várias cópias da primeira página do Expresso de 31 de Maio de 2003 para esse efeito.

Se fosse jantar com Woody Allen onde o levaria?
Ao Adour do Alain Ducasse no Hotel Saint Regis na Quinta com a Cinquenta e Cinco. Come-se bem, e fica perto do meu hotel e do apartamento dele.

O que almoçou hoje?
Vieiras com molho de gengibre e arroz de açafrão, acompanhadas com cerveja Grolsch estupidamente gelada.

E o que deveria ter pedido?
Vieiras com molho de gengibre e arroz de açafrão, acompanhadas com champanhe Louis Roederer Cristal estupidamente gelado. Só que era eu a pagar a conta.

Qual o segundo momento mais marcante da sua vida?
Chegar à conclusão, de que a masturbação afinal não provocava a cegueira.

Sem ser essa mariquice de morrer a dormir, como é que preferia morrer?
Num desastre de avião, a bordo do meu GV, a caminho da festa do meu 101º aniversário, no meu penthouse em Upper East New York.

Qual o seu pintor favorito da Escola Flamenga?
Ironias à parte, sou fanático por Pieter Bruegel. Desde o dia em que o descobri na primeira página de um livro escolar alemão.

Agora a sério, alguma vez encolheu a barriga?
Ainda ontem numa gala de uma empresa do norte, para entrar num smoking antes de um espectáculo meu com a orquestra do Pedro Duarte.

Num incêndio em sua casa, que objecto faria tudo para salvar?
O computador portátil e o meu Jacob Pellat-Finet.

Qual o luxo pré-crise de que tem saudades?
O de acreditar que Portugal era um estado de direito.

Já teve problemas com um vizinho?
É um “Leitmotiv” da minha vida. Podia ser o meu nome do meio. Herman “Problemas Com Os Vizinhos” José.

Quantas vezes já fez amor a uma terça-feira?
Menos de metade das vezes que o fiz a um sábado.

Já fingiu que não viu um amigo de há 20 anos?
Se fingisse, é porque já não era amigo. A pergunta está mal construida. Vou fingir que nem a vi.

Quando votou nulo, o que escreveu?
Não voto. Sou cidadão alemão.

Qual é a música mais foleira que canta no duche?
A foleirice para mim tem estatuto de “Kitsch”. A minha favorita é a versão portuguêsa do António Sala da canção “Aleluia” da israelita Gali Atari, que venceu o festival da canção da Eurovisão em 1979. Recupero-a em todos os meus espectáculos, juntamente com o tema “Não, não e não” de Maria de Lurdes Resende, a “Porta Secreta” de Artur Garcia, e o “Mocidade, Mocidade” do António Calvário.

Toca-se no banho?
Inevitavelmente. Mas sem segundas intenções. Prefiro que me toquem.

Diz salsicha ou salchicha?
Como bom alemão digo “Bratwurst”.

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Comentário + votado

Muita crítica às vezes é bom sinal...

Só que no caso presente, não se passa assim, de acordo com o "inquérito" acima descrito o sr. ...

Anónimo

23.03.2010 15:57