Imprensa europeia volta a pedir respeito ao Google News pelos direitos de autor

20.05.2009 - 09:55 Por Ana Machado
A imprensa europeia voltou a frisar que é preciso salvaguardar os direitos de autor na transposição de notícias de todos os títulos feita pelo Google News, depois deste motor de pesquisa ter anunciado que pondera abrir o seu agregador de notícias à publicidade.
Para a Associação Europeia de Editores de Jornais (ENPA), que representa 5200 títulos em toda a Europa, cada jornal deveria poder decidir que conteúdos podem ou não ser publicados no Google News e deviam também ter o direito de fixar um preço em forma de compensação pela utilização da informação.
“A nossa objecção prende-se com o facto desta entrada de publicidade vir definitivamente prejudicar as já frágeis receitas publicitárias da imprensa e criar obstáculos a uma possível parceria futura com o Google, uma vez que tinha sido garantido que o Google News não teria publicidade”, diz a ENPA em comunicado.
Em Fevereiro o Google News para os Estados Unidos começou a apresentar publicidade e em Março o agregador de notícias fez um acordo com agências de notícias europeias para que os conteúdos destas no Google News fossem acompanhados por anúncios.
A ENPA incentiva ainda, em comunicado, os jornais a colocarem a hipótese de agir legalmente contra o Google: “É preciso que percebam o mal que estão a causar aos leitores, jornalistas e outros funcionários da imprensa e o impacto qe podem ter na indústria, na democracia e no emprego”.
Jornais como o “Washington Post” já entraram em conversações com o motor de pesquisa mais popular e o “New York Times” pode também já ter iniciado o diálogo.
Ontem, no próprio congresso anual do Google para a Europa, em Hertsfordshire, no Reino Unido, o director do diário espanhol “El Mundo”, Pedro Ramírez, foi aplaudido quando acusou o Google de estar a por em perigo o futuro da imprensa ao agregar notícias sem pagar nada em troca. “Os verdadeiros piratas são os agregadores. É impossível separar o futuro do jornalismo do futuro da imprensa. Sem jornais não haverá jornalismo de qualidade e isso será muito grave para a saúde da democracia”, disse, frisando o peso que as edições online estão a tomar nos jornais.

