O Governo chinês anunciou hoje que vai criar uma lista negra para jornalistas que quebrem as regras oficiais impostas aos meios de comunicação social, informou hoje a agência de notícias estatal chinesa.
Li Dongdong, responsável da entidade governamental responsável pelo controlo da comunicação social, avançou que nesta lista negra irão constar os jornalistas que mantiverem uma “conduta profissional pouco saudável”. “Quem entrar na lista das transgressões será excluído das actividades de recolha e edição de notícias”, avança a agência, citando a responsável estatal para quem a medida se justifica como um meio de “erradicar as notícias falsas”.
Para os críticos, a verdadeira motivação do Partido Comunista é outra: livrar-se dos jornalistas que resistam ao controlo da censura. “Uma base de dados específica para este tipo de transgressões seria inédito”, comentou Li Datong, antigo editor do jornal “China Youth Daily” do qual foi afastado depois de criticar a censura.
“O argumento de que estão a tentar combater as notícias falsas é apenas uma fachada. Há realmente um problema com as notícias e os jornalistas falsos, mas há muitas maneiras de lidar com esse isso”.
Na China os meios de comunicação social são controlados pelo Estado, mas muitos dos milhares de jornais e revistas tentam distinguir-se da concorrência e atrair os leitores através de notícias que expõem escândalos de corrupção ou a má conduta dos políticos chineses.
Segundo a Reuters, há também muitos jornalistas chineses que procuram chantagear empresas com a ameaça de publicação de notícias negativas (verdadeiras ou falsas) para retirarem proveitos próprios.
O controlo exercido pelo Gabinete de Propaganda do Partido Comunista chinês não é novo. Todas as notícias publicadas nos jornais e nos outros meios de comunicação social são sempre objecto de aprovação. Mas, apesar da vigilância existente, as autoridades chinesas acreditam que as ferramentas de que dispõem até ao momento não são suficientes.
O governo está sobretudo preocupado com o clima de tensão que pode advir da desaceleração do crescimento económico e pela proximidade de aniversário de acontecimentos politicamente incómodos para o governo como o vigésimo aniversário do massacre de Tiananmen ou o 50º aniversário da insurrenção falhada do Tibete.
Estas medidas do governo chinês só se aplicam a jornalistas chineses: os jornalistas estrangeiros na China estão sob a alçada do ministério dos Negócios Estrangeiros e quanto aos cidadãos chineses é-lhes proibido trabalhar para organizações de comunicação social estrangeiras.
Durante os últimos Jogos Olímpicos que decorreram no Verão passado na China, Pequim deu alguns sinais de abertura ao baixar a guarda no controlo da Internet e dos meios de comunicação social. Porém, depois de Agosto a China bloqueou vários sites estrangeiros e nacionais, incluindo o do “New York Times”, o do jornal de Hong Kong “Ming Pao” e ainda o site da BBC.
O Clube de Correspondentes Estrangeiros na China estima ter havido mais de 335 casos de violência, detenção e pressão sobre jornalistas chineses e as suas famílias desde o início de 2007. Este número contabiliza já os 60 casos registados durante os Jogos Olímpicos e os 40 registados durante as manifestações pró-Tibete, em Março.


