Estreia-se segunda-feira, dia 14

Gato Fedorento em versão "Daily Show" entram na campanha eleitoral

09.09.2009 - 10:54 Por Joana Amaral Cardoso

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Os gato fedorento não escondem que o directo "não lhes agrada" Os gato fedorento não escondem que o directo "não lhes agrada" (Daniel Rocha)
Eles estarão com Paulo Portas (dia 16), Francisco Louçã (dia 17) e Jerónimo de Sousa (dia 21), mais para a frente, com António Costa. E estão no Twitter, no Facebook e na SIC - mas só até ao final de Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. O contrato com a estação de Carnaxide termina no final de 2009 e não estão previstos para este ano mais programas do quarteto humorístico na SIC. Depois, entram em regime free-lance, produzindo os seus próprios programas e apresentando-os ao mercado. Mas saem deste modelo de contratação com um programa que consideram "impossível".

É um dos formatos (humorísticos) de maior sucesso internacional que faltava explorar em Portugal e que tem nestes 30 dias de campanhas e eleições legislativas e autárquicas o seu pasto perfeito. À imagem do "Daily Show" com Jon Stewart, os Gato Fedorento vão voltar a esgravatar a actualidade num contexto ideal para um grupo que, como explicou Miguel Góis ao P2, se alimenta "da barafunda e da confusão".

Será que o formato à la "Daily Show" só é possível em Portugal numa conjugação astro-política como esta? "Não sei se será a única altura, mas à partida é uma boa altura para tentar", comenta Tiago Dores.

Enquanto aguardam, optimistas, pelas respostas de Manuela Ferreira Leite e de José Sócrates sobre se irão ou não ao Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios, Tiago Dores (T.D.), José Diogo Quintela (J.D.Q.), Miguel Góis (M.G.) e Ricardo Araújo Pereira (R.A.P.) consomem notícias. O novo programa, que Ricardo Araújo Pereira descreve como "uma espécie de Jon Stewart das barracas, um "Daily Show" pelintra", terá os elementos que os espectadores da SIC Radical e da SIC Notícias já conhecem do "Daily Show". Aproveitar as notícias e o que nelas às vezes corre mal - aos jornalistas ou aos protagonistas - para salientar o que de mais incongruente ou, simplesmente, ridículo há nelas.

Não há tempo para maquilhagens e caricaturas, porque se trata de um directo diário, mas há muitas imagens para comentar - do dia e do passado recente. É que casos como o Freeport, as escutas em Belém, o fim do Jornal de Sexta da TVI e afins prometem deixar lastro futuro.

R.A.P. - O modelo é o do Jon Stewart: um apresentador conduz a emissão e depois há uma entrevista com um político...

M.G. - ...ou um analista político, ou um jornalista político...

T.D. - ...ou um politólogo...

M.G. - ...ou um carpinteiro, se for politizado.

A magia do directo

Cada semana, um dos Gato fará as vezes de apresentador. Entre 14 de Setembro e 23 de Outubro os Gato Fedorento estarão no horário nobre da SIC, às 21h15, em directo - coisa que não lhes agradava muito. "Achámos que um tratamento diário de 25 minutos era a melhor forma de curar esse problema", explica Tiago Dores. "O facto de ser directo não é tanto uma escolha como uma necessidade, ou se calhar é as duas. Se fosse um pré-gravado, perderíamos necessariamente duas horas de trabalho do dia. Além do impacto diferente que pode ter o directo e de nos permitir, por exemplo, comentar coisas que aconteceram imediatamente antes no Jornal da Noite, o que é uma mais-valia."

Z.D.Q. - E perdíamos também a chamada "magia do directo", que é o termo técnico para a cagufa.

R.A.P. - E para coisas que correm mal. A isso chama-se a "magia do directo".

Depois das séries para a SIC Radical, centradas no humor de costumes e nos "cromos", o Gato Fedorento passou para o formato magazine e para a caricatura política e de actualidade com Diz Que É Uma Espécie de Magazine, na RTP1. Zé Carlos, já no regresso a Carnaxide, foi mais uma viagem nesse veículo. Em Maio, diziam que o regresso aos ecrãs seria num formato de sketches. Mas tudo mudou no Verão e agora o formato "Daily Show" será uma espécie de corolário do percurso de um dos grupos de humoristas mais relevantes do século XXI português?

Não, respondem. Foi a direcção da SIC que lhes propôs, há cerca de dois meses, um programa "que está, em termos televisivos, nos antípodas do que [queriam] fazer". "Isto denota bem que o nosso caminho está longe de ter uma lógica, é antes um caminho absolutamente errático", diz Tiago Dores, com a costumeira menorização com que o grupo explica o seu trabalho e gere expectativas em relação ao mesmo. A SIC quer com isto marcar a agenda das campanhas com este programa. E os líderes partidários aguardam as entrevistas com tranquilidade, como diria o Paulo Bento de Ricardo Araújo Pereira.

Estatísticas

  • 8196 leitores
  • 15 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1399798

Comentário + votado

Mais que mil comícios...

O novo programa veio mesmo a calhar. Comícios para quê? O Obama revolucionou a política e a CNN e ...

Zé do Norte

15.09.2009 17:52

X

Mais em Media (15 de 17 artigos)

Semenya, cujo género levantou um coro de interrogações durante os mundiais de atletismo de Berlim, entregou-se nas mãos dos produtores fotográficos da revista “You”, aparecendo com um "look" feminino e cuidado Caster Semenya maquilhada e com vestido